terça-feira, 2 de outubro de 2012

O tempo

** Coluna publicada na edição do dia 21 de julho de 2012 no Diário do Meio Oeste. **


Ouvindo: Time do Pink Floyd.

Quanto tempo o tempo tem? Alguns filósofos afirmam que são as pessoas que fazem o tempo. Cientistas atestam que o tempo é um cálculo controlado pelo Tempo Universal Coordenado, baseado na rotação da Terra e corrigido pelos relógios atômicos. Os dois relógios atômicos brasileiros usam Césio 133 e estão no Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. O tempo, aqui, é diferente do tempo no Japão.

Aqui é dia, lá é noite. Caso for viajar, deve acertar o tal do relógio biológico. Leva uns dois dias até acertar os ponteiros brasileiros com os japoneses; não o relógio do pulso, mas o biológico. Durante a palestra da manhã você já estará bocejando. O tempo não espera ninguém. Ano passado éramos mais jovens; amanhã já seremos mais velhos. Piada? Quem sabe!

O tempo passa e não avisa. Não olhamos os sinais dizendo que o tempo está passando. Apenas notamos quando olhamos para o relógio. E quem não o tem? O tempo é importante para quem não se preocupa com o tempo? Provocação sobre a importância de alguns números em nossas vidas. Levei poucos meses para me preparar para algo que não era preparado havia 30 anos. Aliás, ainda estou despreparado. Rugas!

Passarão vidas até me preparar. Apenas a mãe se prepara. Ou o tempo a prepara? O tempo é vital e tem peso exacerbado sobre nossa existência. Temos tempo para tudo. O tempo modifica, corrompe, cria, destrói, desmonta, aflige, afeta, aterroriza. Quanto tempo eu tenho de tempo ainda? Não sei e nem quero saber. Calcular quanto tempo tenho é algo que nem quero saber. Receio o saber.

Faz um ano que começamos um projeto diário. O tempo era nosso inimigo (ainda o é). Mas conseguimos contornar os números a trazer o que você precisa tomar ciência. Dividia o tempo entre começar a me imaginar como pai e com a correria do dia a dia. Os ponteiros fugiam, se dispersavam no vácuo gerado pelo tempo. Tudo parava. Tal qual o “pause” no filme antes do beijo do casal sofrido. Beija ou não?

No fundo tudo tem o tempo. Temos o tempo sob nosso domínio ou não? Até porque o tempo é feito por nós. Somos nós quem o vivenciamos. E o tempo passado foi bom? Ah! Foi sim, senhor! Os últimos 12 meses do tempo foram divinamente bons, proveitosos, iluminados e rápidos. Rápidos? Passaram voando como a águia em busca da sua presa. Vupt!



Nem vi o tempo me acenar. Quando vi, era o tempo batendo na porta e avisando do aniversário. Queria correr, mas não dava. Ele persegue onde for. Nem dormindo ele desiste. Lá está o relógio a despertar o momento em que o tempo não tem importância, nos sonhos.  O segundo do sonho durou uma eternidade. Desgraçado do pedreiro que me acordou com marteladas no prédio vizinho! Tempo em que o tempo não existia.

            Este tempo é rejuvenescedor como minha filha assim o me fez. Por mais que o tempo tenha passado em minha vida, olho para o novo e o tempo se desfaz. É com o sorriso da minha pequenina que o tempo desiste de me perseguir e some como o vento pela noite gelada. Some e vai gelar o vizinho. Enquanto isso, o meu coração se aquece com o lindo tempo do sorriso e da sua gostosa voz.

Ouvindo: Blood Brothers do Iron Maiden.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Uma longa amizade


Ouvindo: Bohemian Rhapsody do Queen.

            Já sei qual seria minha maior frustração como um pai rocker. Mas tenho de tentar (sabendo que não conseguirei, tampouco farei esforço para isso) lidar com o que vier. Podem levar tudo embora, mas deixem meus grandes amigos por perto. São os únicos que estão sempre ali, perto, junto nos melhores e piores momentos. Várias foram as oportunidades em que recorri aos seus encantos e palavras para me serenar a alma.
            As vozes que ouvia em meu silêncio faziam-me rejuvenescer o espírito, quebrantar a mágoa, dividir a alegria e sorrir para o dia. Ainda não houve um gesto que me fizesse sentir a calmaria de um momento com meus amigos. Conheci-os muito cedo e ainda hoje preservo esta amizade, este pacto vital. Não me obrigaram a escolhas, pois não as me deram, muito menos as procurei.  

            O mundo oferece, todos os dias, oportunidade de conhecer outros amigos, mas recolhi-me aos meus velhos e inseparáveis companheiros de vida. Não os poderia trair. Trair esta confiança arrebataria oportunidades em que não quero vivenciar. O pouco que sou obrigado a suportar já extrapolou o sensato. Sabiam eles, antes mesmo de eu chegar ao mundo, que seria um amigo fiel e que poderiam contar com meu suporte.

            Alguns morreram nestes tempos. Nunca os lugares foram ocupados por outros. As cadeiras da mesa permanecerão vazias, como homenagem aos que foram; jamais serão esquecidos. A cada rodada são reverenciados, como revolucionários e como amigos. São aqueles que carregaram as mágoas e alegrias; nunca pediram nada. As palavras se fizeram verdadeiras ferramentas de inspiração.

            Alguns motivos da minha existência mudaram, mas nunca os amigos foram deixados de lado. Alguns entram e outros saem do trem. Os caminhos, em alguns casos, nunca mais se cruzarão. Contudo, meus velhos amigos sempre sabem onde estou e eu sei de onde eles estão. O velho lugar na mesa segue vago. Não para ser ocupado por outro, mas para se estender uma nova cadeira à mesa.

            Jamais ouvi um adeus. Apenas acenam e sinto o até logo. Eis que nunca os esqueço, tampouco eles. O abandono não é uma expressão conhecida ou praticada neste nosso relacionamento. De certa forma (e de forma certa) somos extremamente ciumentos. Sentimos que não podemos deixar outros intrusos invadir nosso espaço. Não que não podem acenar e dizer “hello”, mas não sentar à mesa.

            O círculo é fechado e a porta são poucos que a chave têm. O pacto é duradouro e rígido, tal qual o zircônio - um metal duro e muito resistente a corrosão. Dificilmente consegue ser corroído; corrompido. O laço estreito entre os integrantes desta mesa é muito estreito e próximo, profícuo. Nossa amizade perdura além-vida. Não é em uma vida que nos esquecemos dos que já partiram.

            A lembrança fica a cada nova rodada pedida ao garçom do bar. As cadeiras continuam vazias, mas com suas lembranças por todos os demais. Frustrado seria ter de dividir esta mesma mesa com a do lado. Frustrado seria eu em querer quem uma pessoa estivesse ao meu lado, na cadeira que já reservei, mas optar pela mesa colorida e sem amigos, insossa, ao lado. Vida longa do Rock And Roll!

Ouvindo: Now You´re Gone do Whitesnake. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O buraco do teto


** Coluna publicada no Jornal Diário do Meio Oeste - edição do dia 07 de julho de 2012.**

Ouvindo: Bon Jour do Salvador Domínguez.

Já deve ter escutado, ou lido, a expressão epifania. Descobrir o significado já vem junto de outras descobertas na vida. Quem sabe seria a localização da telha que faltava para cobrir o telhado. Aquele velho buraco, por menor que fosse, sempre era motivo de o fazer pensar em como cobrir. Cobria-o com um pedaço de madeira; não ficava bom. De fora, via-se que destoava das demais peças. Cobria com lona, mas também não gerava o sentimento de pertencimento.

Passamos anos após anos procurando, consciente ou inconscientemente, a tal da peça que falta. Alguns descobrem, outros morrem com esta lacuna. Esta telha pode ser uma pessoa, um trabalho, uma obra, o plantio de uma árvore, a publicação de um livro ou filme, o salvamento de uma pessoa, um beijo na mão do Papa, assistir o show do seu ídolo. A tal da telha pode ser encontrada no momento em que menos se espera. Pode morrer a procurar, sem encontrar. Não se busca, eis que a telha surge.

Ouvi, algum dia, a história do pequeno gato. O gato-pai olhava o filhote e analisava-o correndo atrás do rabo. Quem já viu isso em gato ou cachorro, sabe. Fica girando e girando até cansar. Até que cansou e o gato-pai disse não ser necessário correr atrás, pois, quando se percebe, ele está sempre junto. Aliás, e bem perto. Alguns passam a vida correndo atrás e não localizam a telha que falta. Outros, sem procurar, descobrem a telha da cobertura.

E esta epifania veio depois de um momento de silêncio. A própria voz que me afastou, trouxe-me de volta. Tive de rastejar nos mais perversos sentimentos impregnados no meu íntimo para poder ter a claridade suficiente de olhar o restante do que continha e não apenas os resquícios do passado. Ao que acendeu a luz do corredor, não o conheço. Pode soar esquizofrenia, mas sempre há outro dentro de cada um. No momento da inópia, algo eclode do inconsciente.

Eis que o silenciar se tornou necessário para que a voz pudesse ser ouvida. Aliás, a voz não falou, ela obrigou a deixar a penúria de um estado. Foi um comando necessário para suprimir algumas telhas imperfeitas e recolocar as novas. O quebrantado foi substituído. Com a novidade, eis que outras vozes se apresentaram, indicando caminhos. Não houve a possibilidade de dois ou três caminhos, traçar dois ou mais ao mesmo tempo. É regra da Física: não podem dois corpos ocupar o mesmo lugar.

A escolha do caminho, mesmo sem o conhecer, literalmente, foi traçado mais com o sentimento de aventura (e guiado por placas de sinalização). Para confessar, com a informação de um que outro frentista de posto. Mas estas passagens foram necessárias para que a telha surgisse mais adiante. Como nas lojas que vendem azulejos em desuso, não tão comuns na região Sul do Brasil, mas que são muito úteis. O preço é caro, mas a necessidade de localizar uma peça única o faz valer a pena no contexto final.


A metáfora da telha pode ser usada por variadas formas ou até concepções. Depende da sensibilidade. Esta telha por ser qualquer coisa - mas qualquer mesmo. A minha telha tem nome, sobrenome, um cabelinho tipo pêssego cheiroso, e a voz mais gostosa de se escutar no mundo. Foi esta voz que me fez acordar diante das minhas profundezas, a minha epifania. Sei que aos poucos vai tomando forma, os sons vão se assemelhando aos nossos, mas, com justiça, superou a Chrissie Hynde.

Ouvindo: Something To Believe In do The Pretenders.   


PS: Acima, a minha telha que faltava.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O sol sempre brilhará


** Coluna publicada no Diário do Meio Oeste do dia 15 de setembro. **

Por Iaran de Oliveira


Ouvindo: Sun do John Lydon.

Desde que os nossos antecessores (muitos deles vivos) decidiram que o Brasil teria o Presidencialismo como Sistema de Governo, através do Referendo de 1963, queriam que a democracia fosse levada a cabo, ou seja, que o cidadão pudesse escolher, de forma livre, os seus representantes legítimos. Em outubro próximo, exatamente no dia 7,  iremos às urnas para o exercício de um poder que só nós, cidadãos eleitores, temos: o de votar.
A Democracia não pode ser entendida apenas como o direito de votar em que preferir, mas sim, ter a oportunidade de participar, opinar, sugerir, torcer, vibrar, desejar, querer e fazer. Contudo, isso tudo de forma livre, sem prejudicar este ou aquele. No artigo 3º da nossa Constituição Federal(CF) está escrito: “I - construir uma sociedade livre, justa e solidária”. A expressão livre, contudo, seguindo o próprio entendimento jurídico, não é absoluta ou o “fazer o que quiser”.
Estamos em dias tensos, quentes. Afloram nos cidadãos os anseios pela vitória (ninguém gosta de perder) de um determinado partido ou candidato. Porém, como ocorre a cada dois anos (oscila entre escolha de prefeitos e , depois, presidente e governadores) as eleições ocorrem; E PASSAM. Este período de campanha é passageiro, tal qual o pleito. Todo campeonato tem início, meio e almeja o final (poucos os que pararam no meio do caminho). Iniciam e terminam.


O que isso quer dizer? Quero dizer que as eleições passam. Mas a eleição não deve ser motivo de guerra, de briga, de criar inimizades, travar debates homéricos em mesa de bar, brigar com o vizinho, atravessar a rua motivado por tal candidato no mesmo caminho. Deve ser um momento para analisar, pensar, refletir, planejar o nosso (teu e meu) futuro.  É momento de avaliarmos bem quem queremos que nos represente. Isso é o que se pretendeu quando definiram nosso Sistema de Governo.

As eleições passam, mas as pessoas ficam. Estar no poder é passageiro. É por um período.  Há a possibilidade de seguir sim; com nova opção do eleitor. O pleito passa, os gestores passam, mas as pessoas ficam. As p-e-s-s-o-a-s! E é isso que deve prevalecer: a pessoa, o ser humano. Não podemos privilegiar a discórdia, a briga, a insensatez, a raiva, a inimizade. Devemos lembrar que este tempo passa, tal qual um temporal. Os políticos vem e vão, mas as pessoas ficam.
Quando nosso time é derrotado pelo time do amigo não é motivo de briga. Do contrário, durante o jogo torcemos, conversamos, vaiamos, comemoramos e, no final, saímos abraçados. A vida prossegue. O jogo acaba, mas as pessoas continuam. Nós seguimos. No próximo, quem sabe, seja o momento de nós vencermos, do amigo rir e o ciclo continua. Não podemos deixar que esta Democracia, a liberdade de escolha, possa interferir na nossa relação de amizade.
Estamos em período eleitoral, mas para decidir nosso futuro. Não estamos em uma guerra, lutando pela vida. O que quero exprimir é que as pessoas não devem criar inimizades apenas por convicções políticas. Cada um decida, opte, escolha, defina. Não se pode deixar que integrantes equipes distintas deixem de se olhar, de se falar, de se cumprimentar em razão de uma escolha. Mesmo que de times diferentes, o desejo é que a Democracia prevaleça; o sol nascerá novamente amanhã.
Não quero ensinar a minha filha a virar o rosto para um colega, pelo simples fato de o pai ou mãe gostar de sertanejo ou de pagode, ou de bandinha, ou de eletrônico. Não gosto, é fato, mas isso não pode interferir na relação entre os dois. Quero que ela seja livre, respeite o colega. Que respeite o colega pela opção que ele ou seus pais fizeram. De verdade, quero caminhar no dia 8 e cumprimentar aquele que me excluiu do Facebook, voltar a apertar sua mão; sorver uma chávena de café juntos. Viveremos!

Ouvindo: Sunday Bloody Sunday do U2.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A República


** Coluna publicada no dia 30 de junho, coo de costume, na edição de sábado do Jornal Diário do Meio Oeste - Videira(SC). **


Ouvindo: Under Pressure do David Bowie & Annie Lennox.

            Falta pouco para um momento importante aos cidadãos brasileiros (e estrangeiros também!): as eleições. O ápice da democracia é o direito de votar, de exercer o maior poder que nossa República proporciona. Do Latin “coisa pública”, a República é um dos variados sistemas de governo existentes no mundo. Felizes dos brasileiros que podem, através do voto, escolher este ou aquele para ser o representante.

            Escolhas boas ou ruins, é certo que haverá um tempo a que se passar com tais eleitos. Pelo certo, do moral e legalmente correto, deveria usar de seu cargo público temporário para melhorar seu município, seu estado e seu país. Não ficar apenas utilizando um espaço (mais o  dinheiro e tempo) do contribuinte para “fazer média” e perambular pela cidade como “autoridade”.

            A expressão autoridade já demonstra uma espécie de fonte de poder. E o poder é difícil de lidar. Pode subir ao cérebro como onipotência e sobrepor o moral e legalmente correto por interesses pessoais. Deveria a autoridade voltar a pensar no termo “República” antes de se imaginar como autoridade. Deve sim ser paga pelo trabalho que exerce. Pelo trabalho e não pelo cargo que ocupa apenas. T-r-a-b-a-l-h-o!

            Apenas dar uma volta no “trabalho” e exercer a “autoridade” no restante do dia não é legal e moralmente correto. Eis que se aproximam os dias do turbilhão que antecede o dia da votação. Domingo de eleição deve ser como início da manhã de feriado: calmo. Sem gritos, sem carros com o som em níveis ensurdecedores, sem sujeira nas ruas, de vizinhos conversando, do sol brilhante ou da chuva molhando.

            Este período requer calma no espírito. Saber avaliar qual pode ser o futuro que você, como cidadão, deseja. E não adianta reclamar caso um ou outro não vença. Pior, reclamar daquele que vencer. Resta calar, aceitar e esperar por outros dois anos. Poderiam ser quatro, mas a cada dois existem eleições: presidente, governadores, deputados e senadores e, dois anos depois, prefeitos e vereadores.

            São dimensões diferentes, mas melhor é já ir pensando na rua onde mora, no bairro ou no município. Será que apenas as árvores da rua onde mora devem ser belas e frondosas? A rua do vizinho, na qual você passa todos os dias, não merece ser também estar ajeitada? Será que vale a pena você vender um importante momento seu por alguns galhos de árvores mais belos do que o vizinho?





            Vivemos em um mundo pequeno, por maior que seja e pela distância que exista entre os povos. A casa do seu vizinho é mais longínqua do que a Noruega, mas muitos conhecem aquele país e nunca viram o vizinho. O pensar coletivo é sinônimo de República. O nosso Estado é nosso chão. Quero que minha filha possa viver em uma República, onde tudo é público, mas não onde o poder de uma “autoridade” prevaleça.



            Nosso trabalho neste período é analisar, avaliar, pensar e agir. A Justiça Eleitoral é nosso braço legal perante aqueles que pleiteiam agir por “debaixo dos panos”. Denuncie, como alguém denunciaria um crime, um assassinato, um roubo contra você. Quero que minha filha possa viver e não apenas sobreviver. Que ela possa desfrutar da “nossa” e não daquela “pertencente ao “meu”. Filha, calma, pois aos poucos crescemos.

Ouvindo: Flirtin' With Disaster de Molly Hatchet.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Um pouco de Educação

** Coluna publicada no dia 16 de junho, no Jornal Dário do Meio Oeste. **




Ouvindo: Do You Remember Rock 'n' Roll Radio? Do Ramones.

Ramones é uma boa trilha sonora quando se pretende abordar a Educação. O maiúsculo diz respeito ao termo estritamente pessoal, pois deve ser respeitada a Educação.  Foi através deste grupo americano que o punk rock foi difundido aos variados ventos do mundo. Abordavam as peripécias juvenis e a derrubada de paradigmas políticos, sociais e até econômicos. Queriam levar diversão; de fato, levam até hoje em meu coração.

Debaixo das cobertas ouviam o rock and roll que as emissoras de rádios veiculavam. Escondidos dos pais, omitidos pela sociedade formal e Educada da época. Há sempre o que se discutir da Educação que nossos antepassados pregavam. Não vivemos mais na base do bofete ou da opressão, da minorização(em um caso de neologismo) dos filhos perante o respeito e a obediência. Respeitar é uma coisa, obedecer outra.



Minha mãe nunca foi de pedir muita coisa para os seus cinco filhos. Prestou uma Educação baseada no exemplo: não gritava, não soltava palavrões, era Educada e estimulava a leitura, o aprendizado. Lembro que, porém, detestada quando não ouvia o “senhora”. TU? Jamais.  A Educação não é apenas algo que vem de casa, de berço, mas se aprende. Educado e culto não são sinônimos. Ponto de vista discrepante, são até antônimos. Andam em caminhos próximos, mas distintos.

O Educado é o sujeito que respeita. Pode não concordar, mas respeita. Conheço doutor mal Educado e analfabeto Educado. E vice-versa, bem vice e muito versa. Escolaridade não é sinônimo de Educação. Pior é tentar usar da falta de “anos de escola” para pleitear a minorização(em outro caso de neologismo) da extrema falta de Educação. Vi (e confesso me senti envergonhado) um sujeito ser mal Educado com a maior autoridade do Estado.

Sem englobar a questão político-partidária, mas apenas a Educação, senti-me ofendido ao ver (e ouvir) o sujeito tratar o governador como “tu, cara, ô meu”. Creio que por muito menos um policial já tiraria algemas da cinta e o colocaria no camburão. Mas a Educação(política) do Chefe de Estado impedia qualquer comentário; apenas ouvir as lamúrias. Foi educado em escutar. Imagino que não quis penalizar os demais da sala. Por tratamento até melhor ‘dei de costas’ e fui embora do recinto.

Para destacar que escolaridade(anos de escola) não significam Educação. E não adianta tentar desculpar depois, pois repetiu a mesma mal Educação um dia e pouco depois. Fico triste de ver um vizinho tratar alguém desta forma.  Fico imaginando como trata o seu funcionário, o seu vizinho de porta, o seu cachorro. Educação pode não se aprender desde o berço, mas é fundamental para conviver, harmoniosamente, em sociedade.

O “senhor” ou a “senhora” soam tão bem, independente da idade de quem é o receptor. Podem vir com esculachos posteriores, mas soam tão bonito. A Educação de nossa vida adulta (ou juvenil) pode ser precedida de um pai e mãe Educados. Recordo muito bem como meu velho e saudoso pai cumprimentava minha avó(seus irmãos também o faziam): “a bênção mãe”, e beijavam a mão da mãe. Gesto bonito; antiquado, mas bonito.

Com a gripe beirando nossa porta, beijar a mão já não serve, tampouco a fase social em que vivemos. Não vivemos mais em monarquia. Não aqui no Brasil. Mas ensinar um bocadinho (bem inho) de Educação é o mínimo que podemos fazer. Pai e mãe não são apenas quem colocam no mundo (esperando pelo professor). Melhor os pais Educarem a deixar que o mundo o Eduque. Nem sempre pensamos da mesma forma como o mundo age. Filha, compreenda que Educar não é maltratar.

Ouvindo: Pride and Joy do Stevie Ray Vaughan. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Apoio

** Tópico antigo. Nem sei de quando, mas foi logo que cheguei nesta terra. ** estava nas pendências e vi anos depois... ***



Ouvindo: Song Yet To Be Sung do Perry Farrell. São 17h52.

Os últimos dias até têm sido bem interessantes. N´algum momento urge um sentimento estranho, mas passa rapidinho. Semana de trabalho intenso. Não parei muito não. Mas como se arrastou a semana. A impressão que tive (e de outras pessoas também) foi de que a semana contou com 20 dias. Deve ser pela falta de feriado. Foram seguidos feriados. Mas agora parece que encerraram os dias de descanso. Esperemos o final do ano. Aliás, Natal está chegando. Seguindo o que o Nandinho escreveu, pedir ajuda também. E por isso, meu querido Papai Noel: faça com que os produtores do Big Brother Brasil me escolham para ser um dos participantes.
Estava adiando a minha vontade de escrever e contar que fiz a inscrição para a edição 2008 do programa. Há alguns anos que algumas pessoas comentavam que eu seria uma pessoa “curiosa e/ou interessante” para ficar vendo todos os dias na televisão. E este ano resolvi gravar um vídeo e enviar a inscrição. Foram dezenas de perguntas respondidas numa noite de quinta-feira, ainda quando morava na casa da Tê. Enviei o envelope com o DVD, fotos, ficha de inscrição e questionário pouco depois de me mudar. Acabei mudando de casa e de vida, de certa forma. E ando confiante com esta possibilidade. Ir participar deste reality show seria muito bom para minha pessoa. Aliás, vai ser. Vou escrever com certeza para ter mais força no pedido ao bom velhinho. Seja Pai do Céu, Papai Noel, enfim, quem for. Dê-me esta oportunidade. O resto deixem comigo. Eu me viro - sou quase um pavão. Com esta oportunidade poderia eu começar a fomentar, de forma mais concisa, a Igreja do Rock, comprar minha moto e a casa de Natal para minha mãe. Sei que a casa está perto de chegar, mas darei este presente para a minha amada Dona Sônia. Minha, das meninas, dos bichos, dos cunhados e do mundo. Com minha mãe não sou egoísta. Com a dona Sônia tem mãe de sobra. Coração sem tamanho e de valor incalculável. Não vendo minha mãe não. Empresto, com muito prazer, mas sem abusos.
Mas voltando ao assunto, inscrevi, abri um perfil no site do programa (http://www.8p.com.br/bbb/iaran/perfil) e estou fazendo minha parte. Algumas poucas pessoas ficaram sabendo que enviei o material. Nem quis criar expectativas. Nem comigo nem com ninguém. Mas sei que tem gente que poderia entrar no site e votar SIM também. Amigos, amigos... Quem os são? De quem menos eu esperava, impactei com a resposta. Obrigado pela força. Sei que a Drika fez um comercial grande entre seus amigos sobre o site e sobre a Igreja do Rock. Obrigado Drika. Beijo carinhoso para você. Aprendi muito, em pouco tempo, com esta menina com Deus bem ao seu lado.
Mas sigo nesta minha jornada. Pedi para um “ser” que anda me auxiliando muito desde que cheguei nesta nova terra. Que recorda muito bem desde a primeira vez que o vi. Recorda do lugar e do que me disse. Obrigado Seu Sete. Salve!! Sei que ele também faz uma corrente forte com esta intenção. Estou convicto de que não é fácil ser um dos escolhidos entre mais de 160 mil brasileiros que enviaram o material. Faz sei que sempre fui muito protegido por ai do Céu e tenho Santos muito fortes comigo. Do contrário não estaria aqui hoje. Obrigado para todos vocês também. Não quero saber quem são vocês, apenas sei que vocês estão perto e me auxiliam. Tanto eu como muitas pessoas são auxiliadas por estes “seres” que não vemos nem tocamos. Apenas sentimos.
Pois bem, Papai Noel, dá-me este presente de Natal: ser um dos 14 que estarão no BBB8. Depois eu peço o resto.

Ouvindo: The Silent Man do Dream Theater. São 18h41.

A internet

* * Coluna publicada no Diário do Meio Oeste no dia 10 de junho de 2012. * *



Ouvindo: Miles Away do Winger.

A internet é uma maravilha. Deve figurando no “Top Five” das melhores invenções do mundo. Tem o Rock - para alegrar o mundo, o refrigerador – para gelar a cerveja, o banheiro – para a higiene e descarregar a cerveja, o computador - para suportar a internet, e os filhos – para ensinar a ouvir Rock. Bom, depois vem o resto. Deixando a seriedade séria disso tudo, cabe avaliar os males da rede mundial.

A curiosidade matou o gato, diz um ditado popular. A rede mundial de informação já diz tudo: um mundo de informação. Isso é sinônimo de muita coisa. Mas muita coisa mesmo: boas, outras nem tanto, ruins e péssimas.  A dor de cabeça do passado não era tão grande e intensa quanto o é agora. Por uma mísera informação o mundo vira de cabeça para baixo.

E, além disso, faz tudo virar uma correria. Imaginemos: a noticia de um tsunami no litoral no leste já origina uma mobilização maciça de autoridades e vendedores de alimentos no oeste. Uns fugindo; outros corajosos indo no sentido contrário da multidão com uma prancha de surf. Pior ainda é ir buscar tirar dúvida sobre um assunto que não se tem a mínima informação: o tsunami é quase o mesmo.



Relevar o que se lê na internet é o mínimo que se pode fazer. Nem tudo é verdade. Tem milhares de sítios com fofocas e mentiras. Mas o mais inteligente é analisar, tal qual uma simples pesquisa de escola, e verificar se tudo aquilo que ali consta é verdade e tem algum cunho sério. Dias atrás li que o Elvis estava vivo. Fiquei super feliz, pois realizaria meu sonho de muitos anos.  Frustrei: era mentira!


Não podemos criar um filho apenas com o que se lê na internet e já pensar que é o fim do mundo. Filhos não surgem pela impressora ou são feitos pelo envio de e-mails. Da mesma forma não são apenas relatos de uns que devem ser os mesmos para outros. Tenho cadastro de sites de pais e filhos e sempre mantêm “atualizações atualizadas”. Mas o melhor é saber o que a mãe do fulano passou. Azar a avaliação médica.

Monitorar, ao mínimo que seja, o que se ler é um bom caminho para ao passar por bobo em meio a conversa. Ouvi, certa vez de um médico, que a gestante já sabia tudo sobre o parto, pois lera na internet e em revistas de final de semana. Ele perguntou então se ele era realmente necessário naquele momento. Caso fosse tudo tão explicado, o médico nem precisaria sair de casa, em uma manhã fria. Ficaria em casa.

Melhor é analisar o que se obtém de informação. Tal qual uma faca, pode-se segurar no cabo ou no fio. Melhor verificar direito e cuidar com o que se absorve. De qualquer forma, adoro a internet. Com mentiras ou sem mentiras, é um mundo que ali está. Ninguém mais, com mais de cinco anos, consegue viver sem a internet. “Deuzolivre” cair a conexão no meio de um download.

Ouvindo: A Whiter Shade of Pale do Procol Harum.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O cotidiano do dia a dia


** Coluna publicada no dia 02 de junho, pelo Diário do Meio Oeste. **


Ouvindo: 29 Palms do Robert Plant

Poderia me valer do pleonasmo literário, optando pelo pleonasmo vicioso, transpassando pela redundância estilística a expressar uma repetição que se fará. Para muitos, todos os dias são quase iguais. Algumas vezes mudam de roupa para ir ou voltar do trabalho e jantam algo diferente. Por isso do ‘quase’ anterior. Um dia tem bife de gado, outro tem coxa de frango, mas sempre com arroz, feijão e salada. São pratos intercalados, para não enjoar ou comer sempre a mesma coisa.

Tal qual ir ao mesmo restaurante, todos os cinco dias úteis da semana (e como se sábado e domingo fossem inúteis), almoçar e cumprimentar sempre as mesmas pessoas, da mesma forma: Olá! Oi! Tudo bem? Joia? Tudo bem bom? Para variar, não apenas o cardápio, é espichada uma frase como: será que chove hoje de tarde? O seu time ganhou ontem? Cheiro bom deste feijão, não? Apenas para puxar um pouco de conversa e apressar enquanto se espera a vez na fila.

E se convive com isso. O que não é pleonasmo neste caso é almoçar em casa e ver o cachorro abanando o rabo. Isso sim não é algo repetitivo, recorrente. Aquele “cidadão peludo” acenou quando saiu de casa, você com a mesma roupa da semana passada (mudando apenas a cueca), e sorriu quando voltou ao meio-dia, pois ele não esperava. Mas nem deu tempo de ver o sorriso canino, pois a correria obrigava-o a almoçar uma torrada com um copo de suco do dia anterior. O cachorro acena lá fora!



Pode parecer estranho, mas a repetição nos torna tal qual um robô, aquele mesmo que você manuseia no seu trabalho ou que processa o queijo que você ingeriu pouco antes de voltar a sair e deixar o “cidadão peludo” a ver navios, sem atenção (da torrada, lembra?). O mundo nos impõe isso. Dia a dia, o cotidiano, a vida, a mesmice, a complacência, a acomodação. O trabalho nos impõe a acomodação. Ficar sentado, todo o dia, cinco dias por semana (ou seis), atendendo e falando as mesmas coisas.

Pior é daquele que faz tudo isso e ainda por cima escutando desaforos ou tentando resolver os problemas que outros criaram. São heróis. Este tipo de gente merece um diploma de herói e abnegado. “Empacota tudo e manda a conta lá em casa!” Quão bom seria poder dizer isso aos problemas, deixar que outros os resolvam. Temos problemas e o pior, somos nós quem os produzimos. Depois tem alguém a ser envolvido para resolver (felizes ficam os advogados).

Ainda bem que a segunda-feira existe. É o melhor dia da semana. O domingo é um dia horrendo, pior ainda a tarde e a noite do domingo. Só de imaginar, já fico agoniado. Até terminar de lavar a louça do domingo é uma maravilha. Depois? Melhor que já chegasse a segunda. Adoro também a quinta. Dá para pensar: “só mais um pouco, vamos, só mais um pouco, mais um pouquinho”. O sábado acaba e a tristeza volta. No fundo, a segunda me anima. Saber que recomeça, tudo de novo (igual e repetido).

O cotidiano da vida é tão subjetivo, pois cada dia é igual. Todos com 24 horas. O que fazemos nestas horas é que muda. Para alguns, o lanche, o café, o almoço ou a janta; outros, o trabalho. Feliz é aquele que pode ter dias alternados entre as pessoas, conhecendo, convivendo, conversando, ajudando e até reclamando. Mas que reclame para outra pessoa, pois a mesma já se torna um pleonasmo. O que me anima, em plena segunda, é saber que começo pensando em fazer algo para alguém.

Ouvindo: Layla do Eric Clapton. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Passeio na praça


* Coluna publicada no Diário do Meio Oeste no dia 26 de maio. **

Leia e compartilhe



Ouvindo: The Evil That Man Do do Iron Maiden.

            No passado, você foi levado passear no parque? Seja um parque gigante ou um humilde parquinho, perto de casa, foi? Não agora, quando grande, mas quando pequenino, ainda criança. Tente forçar a memória para aguçar o saudosismo, as recordações de sua feliz infância. Feliz sim, pois apenas muito tempo depois é que você notou que nem sempre sua infância foi feliz. Naquele tempo não existiam valores, nem dinheiro, tudo era fácil, de graça, acessível. Até pilotar uma astronave era algo facilmente possível.

            O tempo passou e logo percebemos que aquele parquinho não era tão bonito quanto pensávamos, que a areia já não era limpa, que andar descalços ou ficar com os pés sujos e molhados era chamarizes para doenças, que o vizinho também dormia, que os bebês precisavam de repouso, que o senhor de idade detestava barulho, que pai e mãe tinha tempo para seu trabalho, fazer comida, limpar a casa.  Ufa! Frase longa e que se alongaria por vários e vários parágrafos; porém, aprendemos.

            Aprendemos que tudo isso existe e nos desestimula. Educam-nos, e isso nos motiva a parar de fantasiar. Ensinam-nos que precisamos seguir o contexto social de nossa rua, nosso bairro, nossa comunidade. Somos obrigados a aprender que o mundo não é tão alegre quanto pouco antes pensávamos. Descobrimos que as balas e biscoitos custam, dinheiro. Que nem sempre pai ou mãe tem um trocado para um lanche na praça, um picolé na rua, um chocolate no mercado ou o salgadinho na padaria.

            O tempo passa e a sociedade destrói nossa fantasia. Colocam-nos na realidade surreal da vida. O mundo insere-nos em sua rotina e as pessoas têm de cortar cabelo e fazer a barba; têm de usar roupas que a sociedade as obriga, a calçar um tênis sem buracos ou um sapato lustroso. O mundo corrói a fantasia. A sociedade destrói o sonho da criança que queria navegar pelo universo, tal qual faz um pato, de forma magnífica e encantadora, sobre um lago. Derrubam nossos sonhos.

            A sociedade destrói mais do que constrói. Depois, tem de correr para reconstruir. Orem, vem outro e destrói novamente. A velha praça já não era a mesma, pois alguém destruiu, depois de alguns construírem. A praça velha ficou no esquecimento, nas lembranças de pés sujos e apelos de vizinhos silenciosos. Os destroços da infância ficam entrelaçados com as pedras que caíram sobre a areia, sobre o chão batido, sobre a velha casa. Um prédio é erguido sobre um pequeno riacho.

            Faz parte da mudança de nossa sociedade. As praças deram lugar aos prédios, ao confinamento de nosso lar, ao abrigo do sol, da chuva, do frio e do calor. Valores infantis deram espaço aos créditos societários da fase adulta, dos números, das siglas, dos verbos, da preocupação. Por alguns momentos, vi minha infância deixar as alegres memórias do meu passado, abrir espaço para as memórias do futuro que me espera. Até que sejam suprimidas pelo futuro, as cuidarei.

            Mais do que aquele velho parque, aquele velho espaço em desuso, algo surgirá. Por alguns momentos, fechei os olhos e imaginei o passeio no parque com a minha filha. Um futuro parque, ou parques, poderão abrigar meu passado não tão distante, com um futuro tão esperado. Quero passear e cruzar por entre os fios de água, sentar na margem do gramado e apreciar os cachorros correndo, os pássaros viajando entre o vento e imaginar os patos divertirem-se sobre as águas do lago.

Ouvindo: Plush do Stone Temple Pilots.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um certo amor

** Coluna publicada em 12 de maio no Diário do Meio Oeste **


Ouvindo: Paint it Black do Rolling Stones.

Participei de uma palestra faz pouco e o ministrante foi provocativo a ponto de instigar uma reflexão sobre o que é o amor. Este substantivo masculino é o que podemos descrever de “algo complexo”. Uma definição, por si só, já é complicada. Como podemos, então, dizer que amamos algo se nem ao certo sabemos o que é? Até quis tentar uma analogia com a palavra “deus”, pleiteando uma reflexão no mesmo sentido, mas é difícil demais explicar algo que não sabemos o que, de fato, é.

Existem muitos amores. (Neste final de semana, um em especial, o amor com as mães). Comentário mesmo entre parênteses para não deixar de lembrar desta passagem importante para todos nós: recordar nossas mamás.  Existe este amor de mãe, de pai, de tio, de avô, de adolescente, de amigo, de adulto, de marido, de namorado, de amante, de fã, de fiel, de animais, de religião, de equipes esportivas. São muitos amores para um único 'substantivo masculino’. Será que isso quer dizer que o homem ama mais?

O que não faltariam são músicas, livros, poemas, contos, histórias que abordem esta palavrinha pequena, sem significado prático, mas tão falada, usada, escrita, prostituída. As teorias são muitas. Ninguém sabe ao certo o que é, mas mesmo assim imagina que sabe. Ou sente? Não poderia afirmar que o sei, pois não o sei, mas que amo eu amo! Tenho todos os amores possíveis e imagináveis (quiçá imaginários ou platônicos). Importante é que tenha o sentimento bom.

Mas o amor é ruim demais. É uma droga. É um entorpecente que deveria ser proibido pelas autoridades de saúde. Sim, pela saúde. Prejudica os movimentos do corpo, afeta a área psicológica, o raciocínio, a inteligência, os sentidos. Até mata. Quantos já morreram ou mataram por causa do amor? Mas, até hoje, os nossos legisladores não criaram uma regra sobre este criminoso chamado amor. Bom, como quase tudo que faz mal é bom, então, o amor se torna ‘legal’, bem no senso comum.

Que fiquemos todos bem “legal” com este entorpecente chamado amor. Ainda bem que não o cobram, pois apenas disso enriqueceria dois mundos. Todos amam, todos querem amar, todos querem amor. Mas qual amor? Caso pudesse escolher um amor, qual você escolheria? Todos são interessantes e agradáveis. Mas saber que apenas um poderia ter seu convívio diário. Difícil. Difícil é escolher. Pior ainda é quando nos obrigam a escolher. Nem sempre escolhemos o que o outro queria.

Melhor não dar chance ao azar e evitar que nos façam escolher. O amor não é certo; tampouco errado. Errados somos nós, tal qual somos os certos. O que eu quero mesmo é viver o que eu vivo, conviver com meu presente; o meu presente. O meu amor é tão grande quanto o meu imaginário. Tem nome e sobrenome. Queria ter descoberto isso bem antes - muito tempo antes. O meu amor por você, minha filha, não tem nome, mas existe sim. Pode ser o substantivo que for, mas eu o tenho. E para sempre!


Voltarei para onde me mandarem para estar com você, meu tesourinho. Passarei por quaisquer barreiras que esta minha vida terrena me impõe; voltarei para permanecer com você, onde estiver. Não sei se isso é o amor tão comentado, mas é o que desejo e farei, com todas as minhas forças e energias. E sei que sua mãe também o fará, com maior intensidade do que a minha. Para você, nossa nova mãe, Feliz 1º Dia das Mães, com o amor sem nome e sem definição, que, certo estou, temos por você.


Ouvindo: The Lord's Prayer do Siouxsie and the Banshees.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Um simples livro


** Coluna publicada no Jornal Diário do Meio Oeste dia 05 de maio "" 
Divido, aqui no Mendigo Virtual, um pouco do meu ser. Nas colunas semanais, um momento para refletir, pensar, imaginar, criar e ouvir um som diferente do que, costumeiramente, se ouve. 


Ouvindo: Wolf To The Moon do Ritchie Blackmore.

Já chegou a sofrer por algo, ou alguém, a ponto de pensar em acabar com a penúria de uma lamentável e incoerente existência? Motivado por quaisquer motivos, a ponto de lamentar o nascimento, de enveredar para a tristeza, lamentar pela rejeição, acalantar o sofrimento com a embriaguês e questionar a sua utilidade ao mundo? A dor da perda é algo lastimável, que nada nutre o desejo de abrir os olhos e ver a luz.
Mas passa. Tudo passa. Ele passa, o fato passa, a vida passa, todos passam. Seja daqui para melhor (como dizem os esperançosos), mas passa. Viu, passou e você nem percebeu. A pergunta calou. Os textos que lemos nos instigam a pensar, refletir, nos instigam a olharmos para o interior e avaliarmos o quão bom somos, ou pensamos que somos. O olhar do vizinho sobre nós.

Externar a ânsia por algo melhor, surreal, alegre e bondoso. Querer um coração triste não me alegra, tampouco me estimula. Quero é instigar meu ser a algo mundano, algo palpável, algo que me sorria quando olho, quando converso, com brinco. Quero ver o sorriso escancarado de algo novo, diferente, jovem e acolhedor; algo que possa aprender a amar e me ensine a viver.

Da tristeza que me abate urge um desejo por chorar. Não posso tecer lágrimas com a voz; não desejo molhar o céu da minha boca com o gosto amargo e salitroso de uma lágrima mal desperdiçada. Resmungar com os velhos hábitos e tomar por querida a lembrança que matou.  Assassinou uma fase. Brotou como uma fênix das cinzas, parafraseando frases já parafraseadas por outrem, e que rejuvenesceu como o futuro. 

Para fazer perceber como podemos nos entristecer com palavras. Palavras ditas, malditas, predizem a verdade, antecedem o sofrimento ou acalentam a dor. Estive lendo algo esta semana e me fez pensar sobre isso, sobre o que pensamos, imaginamos, não nos encorajamos. Menomale! Melhor assim. A leitura instiga e desenvolve a criatividade, como do autor brotam as letras e as palavras; ordena-as.




Precisamos de estímulos. Sejam interessantes ou não, precisamos. Carece de nossa análise se o interessante é bom, nem tanto, não o é, ou poderá ficar. Com o passar do tempo, surgem motivos que nos fazem (re)pensar sobre algo que outrora pleiteamos. Bobagens! Bobagens sem nexo e causas sem razão; fatos descerrados pela mágoa, porém, apertados pela memória.



Vejo que sorrir e receber um sorriso vale mais do que ontem imaginei. Avistar o meu ‘tesourinho’ todos os dias e receber o seu sorriso, ou um “âããennn”, compensa os anos passados, aquelas lágrimas cortantes de outro dia. Precisamos da tristeza do passado, para olharmos a alegria que o presente nos prepara. Do futuro ainda é cedo para falar, pois ele acabou de passar e nem acenou. Viu? Foi-se.

Pois então, deixemos as mágoas passadas e analisemos quando alguém nos acenar. Não acene. Corra para onde o estiver e o abrace. Abrace-o fervorosamente. Beije-o instintivamente, como se o não fosse mais avistar, algo que nasce do íntimo, do instinto. Salve-o da amargura e nutra-o da alegria que nosso lindo mundo  nos proporciona todos os dias, com as luzes do sol ou as lágrimas das nuvens.

Ouvindo: Hey Joe do Jimi Hendrix.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sou pecador



Ouvindo: Dead Men Make No Shadow do Super Sonic Brewer.

Já parou para refletir sobre quais as escolhas que seus pais lhe oportunizaram quando criança? A grande maioria deve o ter batizado na Igreja Católica, seguindo a tradição do povo brasileiro, ainda em sua maior parte de cristãos católicos. É percebido um aumento crescente de cristãos evangélicos, para alguns, os protestantes. Pode soar pejorativo, mas não o é. Todos são cristãos, por mais que alguns imaginem que os cristãos são apenas os católicos. Todos unidos pela fé no Cristo, então cristãos.

Dada explicação recai sobre o que posso proporcionar de escolhas para minha filha. Das opções, chegará o momento de ela ter de escolher algum caminho. Sou um sujeito crente, pois acredito em muita coisa. Crente no sentido de acreditar, crer, mas também de ser o crente evangélico. Sou um crente moderninho, que bebe, fala bobagem, ri, resmunga quando se machuca, está bravo. Sou um pecador. E dos bons!  Desde pequeno ando pecando. Peco em muitas ações e atitudes.

E pode pensar que é mea-culpa, mas você também deve ser um pecador. E dos bons!  Paremos para relembrar quais foram os pecados que cometemos: mentimos, brigamos, ousamos entoar o nome do Senhor em vão, comemos demais e passamos mal, bebemos muito e passamos mal, invejamos o ser alheio e mentimos de novo afirmando que não o fazemos. Todos somos pecadores. Entretanto, quem é autoridade neste assunto e dizer que não cometeu alguM ( NS muitos!) deslizes?



Quem é que tem autoridade (legal) sobre todos os demais seres humanos para afirmar que este ou aquele pode ter um terreninho no céu? Mas ninguém viu este céu ainda, ou os lotes que estão nos esperando. Quem sabe o piloto de avião teria este privilégio, mas nunca ouvi (tampouco vi) um deles informando sobre os lotes. Quem sabe o astronauta, que sobe ainda mais; também não. O sujeito que vende estes lotes só pode ser um especulador sem escrúpulos do mercado imobiliário celestial.


Pois foi esta a opção que me deram quando pequeno. De acreditar em um céu bonito, mas que, com o passar dos anos, conheci o especulador celestial (aquele lembra, que vende os terreninhos?!) e me fez repensar. Será que o bilionário terá um terrenão? Daqueles donos de terras que ao olhar se perde pela vista como o mar? De todos os bilhões de seres humanos que vieram e se foram p´ro outro lado, há terrenos para todos? Será que custa muito caro? “- Não meu filho, 10% do seu soldo e tudo certo”, diria.

Adoro religião. Quanto mais, melhor. Frequento a católica, frequentei muito a evangélica, vagueei pelo espiritismo, estudei sobre satanismo um bocado, assisti massacres em razão do protestantismo e cristianismo, li histórias que só poderiam estar em livros de ficção, mas que, infelizmente, ocorreram em função desta opção que nos proporcionam (ou não!) quando crianças. Muitos, ao passar dos anos, ruma para outros mares, outros nichos religiosos. Muda, mas segue pecando.

Apenas penso em proporcionar à minha filha algumas opções (mas ainda em duvida e indeciso): será que batizo-a em todas as igrejas que existem no município, ou deixo passar em branco e participo quando ela decidir o que seguir? Não é uma decisão unilateral, mas sei que tenho apoio. Apenas quero aprender a tocar guitarra, para poder incentivá-la a ouvir a música, quem sabe o nosso Rock, e ajudá-la a aprender a deixar a sua vida uma melodia mais tranquila e prazerosa. Contudo, ela decidirá sobre isso.  

Ouvindo: No Me Dejan Salir (Estoy Verde) do Charly García.