quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A República


** Coluna publicada no dia 30 de junho, coo de costume, na edição de sábado do Jornal Diário do Meio Oeste - Videira(SC). **


Ouvindo: Under Pressure do David Bowie & Annie Lennox.

            Falta pouco para um momento importante aos cidadãos brasileiros (e estrangeiros também!): as eleições. O ápice da democracia é o direito de votar, de exercer o maior poder que nossa República proporciona. Do Latin “coisa pública”, a República é um dos variados sistemas de governo existentes no mundo. Felizes dos brasileiros que podem, através do voto, escolher este ou aquele para ser o representante.

            Escolhas boas ou ruins, é certo que haverá um tempo a que se passar com tais eleitos. Pelo certo, do moral e legalmente correto, deveria usar de seu cargo público temporário para melhorar seu município, seu estado e seu país. Não ficar apenas utilizando um espaço (mais o  dinheiro e tempo) do contribuinte para “fazer média” e perambular pela cidade como “autoridade”.

            A expressão autoridade já demonstra uma espécie de fonte de poder. E o poder é difícil de lidar. Pode subir ao cérebro como onipotência e sobrepor o moral e legalmente correto por interesses pessoais. Deveria a autoridade voltar a pensar no termo “República” antes de se imaginar como autoridade. Deve sim ser paga pelo trabalho que exerce. Pelo trabalho e não pelo cargo que ocupa apenas. T-r-a-b-a-l-h-o!

            Apenas dar uma volta no “trabalho” e exercer a “autoridade” no restante do dia não é legal e moralmente correto. Eis que se aproximam os dias do turbilhão que antecede o dia da votação. Domingo de eleição deve ser como início da manhã de feriado: calmo. Sem gritos, sem carros com o som em níveis ensurdecedores, sem sujeira nas ruas, de vizinhos conversando, do sol brilhante ou da chuva molhando.

            Este período requer calma no espírito. Saber avaliar qual pode ser o futuro que você, como cidadão, deseja. E não adianta reclamar caso um ou outro não vença. Pior, reclamar daquele que vencer. Resta calar, aceitar e esperar por outros dois anos. Poderiam ser quatro, mas a cada dois existem eleições: presidente, governadores, deputados e senadores e, dois anos depois, prefeitos e vereadores.

            São dimensões diferentes, mas melhor é já ir pensando na rua onde mora, no bairro ou no município. Será que apenas as árvores da rua onde mora devem ser belas e frondosas? A rua do vizinho, na qual você passa todos os dias, não merece ser também estar ajeitada? Será que vale a pena você vender um importante momento seu por alguns galhos de árvores mais belos do que o vizinho?





            Vivemos em um mundo pequeno, por maior que seja e pela distância que exista entre os povos. A casa do seu vizinho é mais longínqua do que a Noruega, mas muitos conhecem aquele país e nunca viram o vizinho. O pensar coletivo é sinônimo de República. O nosso Estado é nosso chão. Quero que minha filha possa viver em uma República, onde tudo é público, mas não onde o poder de uma “autoridade” prevaleça.



            Nosso trabalho neste período é analisar, avaliar, pensar e agir. A Justiça Eleitoral é nosso braço legal perante aqueles que pleiteiam agir por “debaixo dos panos”. Denuncie, como alguém denunciaria um crime, um assassinato, um roubo contra você. Quero que minha filha possa viver e não apenas sobreviver. Que ela possa desfrutar da “nossa” e não daquela “pertencente ao “meu”. Filha, calma, pois aos poucos crescemos.

Ouvindo: Flirtin' With Disaster de Molly Hatchet.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Um pouco de Educação

** Coluna publicada no dia 16 de junho, no Jornal Dário do Meio Oeste. **




Ouvindo: Do You Remember Rock 'n' Roll Radio? Do Ramones.

Ramones é uma boa trilha sonora quando se pretende abordar a Educação. O maiúsculo diz respeito ao termo estritamente pessoal, pois deve ser respeitada a Educação.  Foi através deste grupo americano que o punk rock foi difundido aos variados ventos do mundo. Abordavam as peripécias juvenis e a derrubada de paradigmas políticos, sociais e até econômicos. Queriam levar diversão; de fato, levam até hoje em meu coração.

Debaixo das cobertas ouviam o rock and roll que as emissoras de rádios veiculavam. Escondidos dos pais, omitidos pela sociedade formal e Educada da época. Há sempre o que se discutir da Educação que nossos antepassados pregavam. Não vivemos mais na base do bofete ou da opressão, da minorização(em um caso de neologismo) dos filhos perante o respeito e a obediência. Respeitar é uma coisa, obedecer outra.



Minha mãe nunca foi de pedir muita coisa para os seus cinco filhos. Prestou uma Educação baseada no exemplo: não gritava, não soltava palavrões, era Educada e estimulava a leitura, o aprendizado. Lembro que, porém, detestada quando não ouvia o “senhora”. TU? Jamais.  A Educação não é apenas algo que vem de casa, de berço, mas se aprende. Educado e culto não são sinônimos. Ponto de vista discrepante, são até antônimos. Andam em caminhos próximos, mas distintos.

O Educado é o sujeito que respeita. Pode não concordar, mas respeita. Conheço doutor mal Educado e analfabeto Educado. E vice-versa, bem vice e muito versa. Escolaridade não é sinônimo de Educação. Pior é tentar usar da falta de “anos de escola” para pleitear a minorização(em outro caso de neologismo) da extrema falta de Educação. Vi (e confesso me senti envergonhado) um sujeito ser mal Educado com a maior autoridade do Estado.

Sem englobar a questão político-partidária, mas apenas a Educação, senti-me ofendido ao ver (e ouvir) o sujeito tratar o governador como “tu, cara, ô meu”. Creio que por muito menos um policial já tiraria algemas da cinta e o colocaria no camburão. Mas a Educação(política) do Chefe de Estado impedia qualquer comentário; apenas ouvir as lamúrias. Foi educado em escutar. Imagino que não quis penalizar os demais da sala. Por tratamento até melhor ‘dei de costas’ e fui embora do recinto.

Para destacar que escolaridade(anos de escola) não significam Educação. E não adianta tentar desculpar depois, pois repetiu a mesma mal Educação um dia e pouco depois. Fico triste de ver um vizinho tratar alguém desta forma.  Fico imaginando como trata o seu funcionário, o seu vizinho de porta, o seu cachorro. Educação pode não se aprender desde o berço, mas é fundamental para conviver, harmoniosamente, em sociedade.

O “senhor” ou a “senhora” soam tão bem, independente da idade de quem é o receptor. Podem vir com esculachos posteriores, mas soam tão bonito. A Educação de nossa vida adulta (ou juvenil) pode ser precedida de um pai e mãe Educados. Recordo muito bem como meu velho e saudoso pai cumprimentava minha avó(seus irmãos também o faziam): “a bênção mãe”, e beijavam a mão da mãe. Gesto bonito; antiquado, mas bonito.

Com a gripe beirando nossa porta, beijar a mão já não serve, tampouco a fase social em que vivemos. Não vivemos mais em monarquia. Não aqui no Brasil. Mas ensinar um bocadinho (bem inho) de Educação é o mínimo que podemos fazer. Pai e mãe não são apenas quem colocam no mundo (esperando pelo professor). Melhor os pais Educarem a deixar que o mundo o Eduque. Nem sempre pensamos da mesma forma como o mundo age. Filha, compreenda que Educar não é maltratar.

Ouvindo: Pride and Joy do Stevie Ray Vaughan. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Apoio

** Tópico antigo. Nem sei de quando, mas foi logo que cheguei nesta terra. ** estava nas pendências e vi anos depois... ***



Ouvindo: Song Yet To Be Sung do Perry Farrell. São 17h52.

Os últimos dias até têm sido bem interessantes. N´algum momento urge um sentimento estranho, mas passa rapidinho. Semana de trabalho intenso. Não parei muito não. Mas como se arrastou a semana. A impressão que tive (e de outras pessoas também) foi de que a semana contou com 20 dias. Deve ser pela falta de feriado. Foram seguidos feriados. Mas agora parece que encerraram os dias de descanso. Esperemos o final do ano. Aliás, Natal está chegando. Seguindo o que o Nandinho escreveu, pedir ajuda também. E por isso, meu querido Papai Noel: faça com que os produtores do Big Brother Brasil me escolham para ser um dos participantes.
Estava adiando a minha vontade de escrever e contar que fiz a inscrição para a edição 2008 do programa. Há alguns anos que algumas pessoas comentavam que eu seria uma pessoa “curiosa e/ou interessante” para ficar vendo todos os dias na televisão. E este ano resolvi gravar um vídeo e enviar a inscrição. Foram dezenas de perguntas respondidas numa noite de quinta-feira, ainda quando morava na casa da Tê. Enviei o envelope com o DVD, fotos, ficha de inscrição e questionário pouco depois de me mudar. Acabei mudando de casa e de vida, de certa forma. E ando confiante com esta possibilidade. Ir participar deste reality show seria muito bom para minha pessoa. Aliás, vai ser. Vou escrever com certeza para ter mais força no pedido ao bom velhinho. Seja Pai do Céu, Papai Noel, enfim, quem for. Dê-me esta oportunidade. O resto deixem comigo. Eu me viro - sou quase um pavão. Com esta oportunidade poderia eu começar a fomentar, de forma mais concisa, a Igreja do Rock, comprar minha moto e a casa de Natal para minha mãe. Sei que a casa está perto de chegar, mas darei este presente para a minha amada Dona Sônia. Minha, das meninas, dos bichos, dos cunhados e do mundo. Com minha mãe não sou egoísta. Com a dona Sônia tem mãe de sobra. Coração sem tamanho e de valor incalculável. Não vendo minha mãe não. Empresto, com muito prazer, mas sem abusos.
Mas voltando ao assunto, inscrevi, abri um perfil no site do programa (http://www.8p.com.br/bbb/iaran/perfil) e estou fazendo minha parte. Algumas poucas pessoas ficaram sabendo que enviei o material. Nem quis criar expectativas. Nem comigo nem com ninguém. Mas sei que tem gente que poderia entrar no site e votar SIM também. Amigos, amigos... Quem os são? De quem menos eu esperava, impactei com a resposta. Obrigado pela força. Sei que a Drika fez um comercial grande entre seus amigos sobre o site e sobre a Igreja do Rock. Obrigado Drika. Beijo carinhoso para você. Aprendi muito, em pouco tempo, com esta menina com Deus bem ao seu lado.
Mas sigo nesta minha jornada. Pedi para um “ser” que anda me auxiliando muito desde que cheguei nesta nova terra. Que recorda muito bem desde a primeira vez que o vi. Recorda do lugar e do que me disse. Obrigado Seu Sete. Salve!! Sei que ele também faz uma corrente forte com esta intenção. Estou convicto de que não é fácil ser um dos escolhidos entre mais de 160 mil brasileiros que enviaram o material. Faz sei que sempre fui muito protegido por ai do Céu e tenho Santos muito fortes comigo. Do contrário não estaria aqui hoje. Obrigado para todos vocês também. Não quero saber quem são vocês, apenas sei que vocês estão perto e me auxiliam. Tanto eu como muitas pessoas são auxiliadas por estes “seres” que não vemos nem tocamos. Apenas sentimos.
Pois bem, Papai Noel, dá-me este presente de Natal: ser um dos 14 que estarão no BBB8. Depois eu peço o resto.

Ouvindo: The Silent Man do Dream Theater. São 18h41.

A internet

* * Coluna publicada no Diário do Meio Oeste no dia 10 de junho de 2012. * *



Ouvindo: Miles Away do Winger.

A internet é uma maravilha. Deve figurando no “Top Five” das melhores invenções do mundo. Tem o Rock - para alegrar o mundo, o refrigerador – para gelar a cerveja, o banheiro – para a higiene e descarregar a cerveja, o computador - para suportar a internet, e os filhos – para ensinar a ouvir Rock. Bom, depois vem o resto. Deixando a seriedade séria disso tudo, cabe avaliar os males da rede mundial.

A curiosidade matou o gato, diz um ditado popular. A rede mundial de informação já diz tudo: um mundo de informação. Isso é sinônimo de muita coisa. Mas muita coisa mesmo: boas, outras nem tanto, ruins e péssimas.  A dor de cabeça do passado não era tão grande e intensa quanto o é agora. Por uma mísera informação o mundo vira de cabeça para baixo.

E, além disso, faz tudo virar uma correria. Imaginemos: a noticia de um tsunami no litoral no leste já origina uma mobilização maciça de autoridades e vendedores de alimentos no oeste. Uns fugindo; outros corajosos indo no sentido contrário da multidão com uma prancha de surf. Pior ainda é ir buscar tirar dúvida sobre um assunto que não se tem a mínima informação: o tsunami é quase o mesmo.



Relevar o que se lê na internet é o mínimo que se pode fazer. Nem tudo é verdade. Tem milhares de sítios com fofocas e mentiras. Mas o mais inteligente é analisar, tal qual uma simples pesquisa de escola, e verificar se tudo aquilo que ali consta é verdade e tem algum cunho sério. Dias atrás li que o Elvis estava vivo. Fiquei super feliz, pois realizaria meu sonho de muitos anos.  Frustrei: era mentira!


Não podemos criar um filho apenas com o que se lê na internet e já pensar que é o fim do mundo. Filhos não surgem pela impressora ou são feitos pelo envio de e-mails. Da mesma forma não são apenas relatos de uns que devem ser os mesmos para outros. Tenho cadastro de sites de pais e filhos e sempre mantêm “atualizações atualizadas”. Mas o melhor é saber o que a mãe do fulano passou. Azar a avaliação médica.

Monitorar, ao mínimo que seja, o que se ler é um bom caminho para ao passar por bobo em meio a conversa. Ouvi, certa vez de um médico, que a gestante já sabia tudo sobre o parto, pois lera na internet e em revistas de final de semana. Ele perguntou então se ele era realmente necessário naquele momento. Caso fosse tudo tão explicado, o médico nem precisaria sair de casa, em uma manhã fria. Ficaria em casa.

Melhor é analisar o que se obtém de informação. Tal qual uma faca, pode-se segurar no cabo ou no fio. Melhor verificar direito e cuidar com o que se absorve. De qualquer forma, adoro a internet. Com mentiras ou sem mentiras, é um mundo que ali está. Ninguém mais, com mais de cinco anos, consegue viver sem a internet. “Deuzolivre” cair a conexão no meio de um download.

Ouvindo: A Whiter Shade of Pale do Procol Harum.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O cotidiano do dia a dia


** Coluna publicada no dia 02 de junho, pelo Diário do Meio Oeste. **


Ouvindo: 29 Palms do Robert Plant

Poderia me valer do pleonasmo literário, optando pelo pleonasmo vicioso, transpassando pela redundância estilística a expressar uma repetição que se fará. Para muitos, todos os dias são quase iguais. Algumas vezes mudam de roupa para ir ou voltar do trabalho e jantam algo diferente. Por isso do ‘quase’ anterior. Um dia tem bife de gado, outro tem coxa de frango, mas sempre com arroz, feijão e salada. São pratos intercalados, para não enjoar ou comer sempre a mesma coisa.

Tal qual ir ao mesmo restaurante, todos os cinco dias úteis da semana (e como se sábado e domingo fossem inúteis), almoçar e cumprimentar sempre as mesmas pessoas, da mesma forma: Olá! Oi! Tudo bem? Joia? Tudo bem bom? Para variar, não apenas o cardápio, é espichada uma frase como: será que chove hoje de tarde? O seu time ganhou ontem? Cheiro bom deste feijão, não? Apenas para puxar um pouco de conversa e apressar enquanto se espera a vez na fila.

E se convive com isso. O que não é pleonasmo neste caso é almoçar em casa e ver o cachorro abanando o rabo. Isso sim não é algo repetitivo, recorrente. Aquele “cidadão peludo” acenou quando saiu de casa, você com a mesma roupa da semana passada (mudando apenas a cueca), e sorriu quando voltou ao meio-dia, pois ele não esperava. Mas nem deu tempo de ver o sorriso canino, pois a correria obrigava-o a almoçar uma torrada com um copo de suco do dia anterior. O cachorro acena lá fora!



Pode parecer estranho, mas a repetição nos torna tal qual um robô, aquele mesmo que você manuseia no seu trabalho ou que processa o queijo que você ingeriu pouco antes de voltar a sair e deixar o “cidadão peludo” a ver navios, sem atenção (da torrada, lembra?). O mundo nos impõe isso. Dia a dia, o cotidiano, a vida, a mesmice, a complacência, a acomodação. O trabalho nos impõe a acomodação. Ficar sentado, todo o dia, cinco dias por semana (ou seis), atendendo e falando as mesmas coisas.

Pior é daquele que faz tudo isso e ainda por cima escutando desaforos ou tentando resolver os problemas que outros criaram. São heróis. Este tipo de gente merece um diploma de herói e abnegado. “Empacota tudo e manda a conta lá em casa!” Quão bom seria poder dizer isso aos problemas, deixar que outros os resolvam. Temos problemas e o pior, somos nós quem os produzimos. Depois tem alguém a ser envolvido para resolver (felizes ficam os advogados).

Ainda bem que a segunda-feira existe. É o melhor dia da semana. O domingo é um dia horrendo, pior ainda a tarde e a noite do domingo. Só de imaginar, já fico agoniado. Até terminar de lavar a louça do domingo é uma maravilha. Depois? Melhor que já chegasse a segunda. Adoro também a quinta. Dá para pensar: “só mais um pouco, vamos, só mais um pouco, mais um pouquinho”. O sábado acaba e a tristeza volta. No fundo, a segunda me anima. Saber que recomeça, tudo de novo (igual e repetido).

O cotidiano da vida é tão subjetivo, pois cada dia é igual. Todos com 24 horas. O que fazemos nestas horas é que muda. Para alguns, o lanche, o café, o almoço ou a janta; outros, o trabalho. Feliz é aquele que pode ter dias alternados entre as pessoas, conhecendo, convivendo, conversando, ajudando e até reclamando. Mas que reclame para outra pessoa, pois a mesma já se torna um pleonasmo. O que me anima, em plena segunda, é saber que começo pensando em fazer algo para alguém.

Ouvindo: Layla do Eric Clapton. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Passeio na praça


* Coluna publicada no Diário do Meio Oeste no dia 26 de maio. **

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Ouvindo: The Evil That Man Do do Iron Maiden.

            No passado, você foi levado passear no parque? Seja um parque gigante ou um humilde parquinho, perto de casa, foi? Não agora, quando grande, mas quando pequenino, ainda criança. Tente forçar a memória para aguçar o saudosismo, as recordações de sua feliz infância. Feliz sim, pois apenas muito tempo depois é que você notou que nem sempre sua infância foi feliz. Naquele tempo não existiam valores, nem dinheiro, tudo era fácil, de graça, acessível. Até pilotar uma astronave era algo facilmente possível.

            O tempo passou e logo percebemos que aquele parquinho não era tão bonito quanto pensávamos, que a areia já não era limpa, que andar descalços ou ficar com os pés sujos e molhados era chamarizes para doenças, que o vizinho também dormia, que os bebês precisavam de repouso, que o senhor de idade detestava barulho, que pai e mãe tinha tempo para seu trabalho, fazer comida, limpar a casa.  Ufa! Frase longa e que se alongaria por vários e vários parágrafos; porém, aprendemos.

            Aprendemos que tudo isso existe e nos desestimula. Educam-nos, e isso nos motiva a parar de fantasiar. Ensinam-nos que precisamos seguir o contexto social de nossa rua, nosso bairro, nossa comunidade. Somos obrigados a aprender que o mundo não é tão alegre quanto pouco antes pensávamos. Descobrimos que as balas e biscoitos custam, dinheiro. Que nem sempre pai ou mãe tem um trocado para um lanche na praça, um picolé na rua, um chocolate no mercado ou o salgadinho na padaria.

            O tempo passa e a sociedade destrói nossa fantasia. Colocam-nos na realidade surreal da vida. O mundo insere-nos em sua rotina e as pessoas têm de cortar cabelo e fazer a barba; têm de usar roupas que a sociedade as obriga, a calçar um tênis sem buracos ou um sapato lustroso. O mundo corrói a fantasia. A sociedade destrói o sonho da criança que queria navegar pelo universo, tal qual faz um pato, de forma magnífica e encantadora, sobre um lago. Derrubam nossos sonhos.

            A sociedade destrói mais do que constrói. Depois, tem de correr para reconstruir. Orem, vem outro e destrói novamente. A velha praça já não era a mesma, pois alguém destruiu, depois de alguns construírem. A praça velha ficou no esquecimento, nas lembranças de pés sujos e apelos de vizinhos silenciosos. Os destroços da infância ficam entrelaçados com as pedras que caíram sobre a areia, sobre o chão batido, sobre a velha casa. Um prédio é erguido sobre um pequeno riacho.

            Faz parte da mudança de nossa sociedade. As praças deram lugar aos prédios, ao confinamento de nosso lar, ao abrigo do sol, da chuva, do frio e do calor. Valores infantis deram espaço aos créditos societários da fase adulta, dos números, das siglas, dos verbos, da preocupação. Por alguns momentos, vi minha infância deixar as alegres memórias do meu passado, abrir espaço para as memórias do futuro que me espera. Até que sejam suprimidas pelo futuro, as cuidarei.

            Mais do que aquele velho parque, aquele velho espaço em desuso, algo surgirá. Por alguns momentos, fechei os olhos e imaginei o passeio no parque com a minha filha. Um futuro parque, ou parques, poderão abrigar meu passado não tão distante, com um futuro tão esperado. Quero passear e cruzar por entre os fios de água, sentar na margem do gramado e apreciar os cachorros correndo, os pássaros viajando entre o vento e imaginar os patos divertirem-se sobre as águas do lago.

Ouvindo: Plush do Stone Temple Pilots.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um certo amor

** Coluna publicada em 12 de maio no Diário do Meio Oeste **


Ouvindo: Paint it Black do Rolling Stones.

Participei de uma palestra faz pouco e o ministrante foi provocativo a ponto de instigar uma reflexão sobre o que é o amor. Este substantivo masculino é o que podemos descrever de “algo complexo”. Uma definição, por si só, já é complicada. Como podemos, então, dizer que amamos algo se nem ao certo sabemos o que é? Até quis tentar uma analogia com a palavra “deus”, pleiteando uma reflexão no mesmo sentido, mas é difícil demais explicar algo que não sabemos o que, de fato, é.

Existem muitos amores. (Neste final de semana, um em especial, o amor com as mães). Comentário mesmo entre parênteses para não deixar de lembrar desta passagem importante para todos nós: recordar nossas mamás.  Existe este amor de mãe, de pai, de tio, de avô, de adolescente, de amigo, de adulto, de marido, de namorado, de amante, de fã, de fiel, de animais, de religião, de equipes esportivas. São muitos amores para um único 'substantivo masculino’. Será que isso quer dizer que o homem ama mais?

O que não faltariam são músicas, livros, poemas, contos, histórias que abordem esta palavrinha pequena, sem significado prático, mas tão falada, usada, escrita, prostituída. As teorias são muitas. Ninguém sabe ao certo o que é, mas mesmo assim imagina que sabe. Ou sente? Não poderia afirmar que o sei, pois não o sei, mas que amo eu amo! Tenho todos os amores possíveis e imagináveis (quiçá imaginários ou platônicos). Importante é que tenha o sentimento bom.

Mas o amor é ruim demais. É uma droga. É um entorpecente que deveria ser proibido pelas autoridades de saúde. Sim, pela saúde. Prejudica os movimentos do corpo, afeta a área psicológica, o raciocínio, a inteligência, os sentidos. Até mata. Quantos já morreram ou mataram por causa do amor? Mas, até hoje, os nossos legisladores não criaram uma regra sobre este criminoso chamado amor. Bom, como quase tudo que faz mal é bom, então, o amor se torna ‘legal’, bem no senso comum.

Que fiquemos todos bem “legal” com este entorpecente chamado amor. Ainda bem que não o cobram, pois apenas disso enriqueceria dois mundos. Todos amam, todos querem amar, todos querem amor. Mas qual amor? Caso pudesse escolher um amor, qual você escolheria? Todos são interessantes e agradáveis. Mas saber que apenas um poderia ter seu convívio diário. Difícil. Difícil é escolher. Pior ainda é quando nos obrigam a escolher. Nem sempre escolhemos o que o outro queria.

Melhor não dar chance ao azar e evitar que nos façam escolher. O amor não é certo; tampouco errado. Errados somos nós, tal qual somos os certos. O que eu quero mesmo é viver o que eu vivo, conviver com meu presente; o meu presente. O meu amor é tão grande quanto o meu imaginário. Tem nome e sobrenome. Queria ter descoberto isso bem antes - muito tempo antes. O meu amor por você, minha filha, não tem nome, mas existe sim. Pode ser o substantivo que for, mas eu o tenho. E para sempre!


Voltarei para onde me mandarem para estar com você, meu tesourinho. Passarei por quaisquer barreiras que esta minha vida terrena me impõe; voltarei para permanecer com você, onde estiver. Não sei se isso é o amor tão comentado, mas é o que desejo e farei, com todas as minhas forças e energias. E sei que sua mãe também o fará, com maior intensidade do que a minha. Para você, nossa nova mãe, Feliz 1º Dia das Mães, com o amor sem nome e sem definição, que, certo estou, temos por você.


Ouvindo: The Lord's Prayer do Siouxsie and the Banshees.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Um simples livro


** Coluna publicada no Jornal Diário do Meio Oeste dia 05 de maio "" 
Divido, aqui no Mendigo Virtual, um pouco do meu ser. Nas colunas semanais, um momento para refletir, pensar, imaginar, criar e ouvir um som diferente do que, costumeiramente, se ouve. 


Ouvindo: Wolf To The Moon do Ritchie Blackmore.

Já chegou a sofrer por algo, ou alguém, a ponto de pensar em acabar com a penúria de uma lamentável e incoerente existência? Motivado por quaisquer motivos, a ponto de lamentar o nascimento, de enveredar para a tristeza, lamentar pela rejeição, acalantar o sofrimento com a embriaguês e questionar a sua utilidade ao mundo? A dor da perda é algo lastimável, que nada nutre o desejo de abrir os olhos e ver a luz.
Mas passa. Tudo passa. Ele passa, o fato passa, a vida passa, todos passam. Seja daqui para melhor (como dizem os esperançosos), mas passa. Viu, passou e você nem percebeu. A pergunta calou. Os textos que lemos nos instigam a pensar, refletir, nos instigam a olharmos para o interior e avaliarmos o quão bom somos, ou pensamos que somos. O olhar do vizinho sobre nós.

Externar a ânsia por algo melhor, surreal, alegre e bondoso. Querer um coração triste não me alegra, tampouco me estimula. Quero é instigar meu ser a algo mundano, algo palpável, algo que me sorria quando olho, quando converso, com brinco. Quero ver o sorriso escancarado de algo novo, diferente, jovem e acolhedor; algo que possa aprender a amar e me ensine a viver.

Da tristeza que me abate urge um desejo por chorar. Não posso tecer lágrimas com a voz; não desejo molhar o céu da minha boca com o gosto amargo e salitroso de uma lágrima mal desperdiçada. Resmungar com os velhos hábitos e tomar por querida a lembrança que matou.  Assassinou uma fase. Brotou como uma fênix das cinzas, parafraseando frases já parafraseadas por outrem, e que rejuvenesceu como o futuro. 

Para fazer perceber como podemos nos entristecer com palavras. Palavras ditas, malditas, predizem a verdade, antecedem o sofrimento ou acalentam a dor. Estive lendo algo esta semana e me fez pensar sobre isso, sobre o que pensamos, imaginamos, não nos encorajamos. Menomale! Melhor assim. A leitura instiga e desenvolve a criatividade, como do autor brotam as letras e as palavras; ordena-as.




Precisamos de estímulos. Sejam interessantes ou não, precisamos. Carece de nossa análise se o interessante é bom, nem tanto, não o é, ou poderá ficar. Com o passar do tempo, surgem motivos que nos fazem (re)pensar sobre algo que outrora pleiteamos. Bobagens! Bobagens sem nexo e causas sem razão; fatos descerrados pela mágoa, porém, apertados pela memória.



Vejo que sorrir e receber um sorriso vale mais do que ontem imaginei. Avistar o meu ‘tesourinho’ todos os dias e receber o seu sorriso, ou um “âããennn”, compensa os anos passados, aquelas lágrimas cortantes de outro dia. Precisamos da tristeza do passado, para olharmos a alegria que o presente nos prepara. Do futuro ainda é cedo para falar, pois ele acabou de passar e nem acenou. Viu? Foi-se.

Pois então, deixemos as mágoas passadas e analisemos quando alguém nos acenar. Não acene. Corra para onde o estiver e o abrace. Abrace-o fervorosamente. Beije-o instintivamente, como se o não fosse mais avistar, algo que nasce do íntimo, do instinto. Salve-o da amargura e nutra-o da alegria que nosso lindo mundo  nos proporciona todos os dias, com as luzes do sol ou as lágrimas das nuvens.

Ouvindo: Hey Joe do Jimi Hendrix.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sou pecador



Ouvindo: Dead Men Make No Shadow do Super Sonic Brewer.

Já parou para refletir sobre quais as escolhas que seus pais lhe oportunizaram quando criança? A grande maioria deve o ter batizado na Igreja Católica, seguindo a tradição do povo brasileiro, ainda em sua maior parte de cristãos católicos. É percebido um aumento crescente de cristãos evangélicos, para alguns, os protestantes. Pode soar pejorativo, mas não o é. Todos são cristãos, por mais que alguns imaginem que os cristãos são apenas os católicos. Todos unidos pela fé no Cristo, então cristãos.

Dada explicação recai sobre o que posso proporcionar de escolhas para minha filha. Das opções, chegará o momento de ela ter de escolher algum caminho. Sou um sujeito crente, pois acredito em muita coisa. Crente no sentido de acreditar, crer, mas também de ser o crente evangélico. Sou um crente moderninho, que bebe, fala bobagem, ri, resmunga quando se machuca, está bravo. Sou um pecador. E dos bons!  Desde pequeno ando pecando. Peco em muitas ações e atitudes.

E pode pensar que é mea-culpa, mas você também deve ser um pecador. E dos bons!  Paremos para relembrar quais foram os pecados que cometemos: mentimos, brigamos, ousamos entoar o nome do Senhor em vão, comemos demais e passamos mal, bebemos muito e passamos mal, invejamos o ser alheio e mentimos de novo afirmando que não o fazemos. Todos somos pecadores. Entretanto, quem é autoridade neste assunto e dizer que não cometeu alguM ( NS muitos!) deslizes?



Quem é que tem autoridade (legal) sobre todos os demais seres humanos para afirmar que este ou aquele pode ter um terreninho no céu? Mas ninguém viu este céu ainda, ou os lotes que estão nos esperando. Quem sabe o piloto de avião teria este privilégio, mas nunca ouvi (tampouco vi) um deles informando sobre os lotes. Quem sabe o astronauta, que sobe ainda mais; também não. O sujeito que vende estes lotes só pode ser um especulador sem escrúpulos do mercado imobiliário celestial.


Pois foi esta a opção que me deram quando pequeno. De acreditar em um céu bonito, mas que, com o passar dos anos, conheci o especulador celestial (aquele lembra, que vende os terreninhos?!) e me fez repensar. Será que o bilionário terá um terrenão? Daqueles donos de terras que ao olhar se perde pela vista como o mar? De todos os bilhões de seres humanos que vieram e se foram p´ro outro lado, há terrenos para todos? Será que custa muito caro? “- Não meu filho, 10% do seu soldo e tudo certo”, diria.

Adoro religião. Quanto mais, melhor. Frequento a católica, frequentei muito a evangélica, vagueei pelo espiritismo, estudei sobre satanismo um bocado, assisti massacres em razão do protestantismo e cristianismo, li histórias que só poderiam estar em livros de ficção, mas que, infelizmente, ocorreram em função desta opção que nos proporcionam (ou não!) quando crianças. Muitos, ao passar dos anos, ruma para outros mares, outros nichos religiosos. Muda, mas segue pecando.

Apenas penso em proporcionar à minha filha algumas opções (mas ainda em duvida e indeciso): será que batizo-a em todas as igrejas que existem no município, ou deixo passar em branco e participo quando ela decidir o que seguir? Não é uma decisão unilateral, mas sei que tenho apoio. Apenas quero aprender a tocar guitarra, para poder incentivá-la a ouvir a música, quem sabe o nosso Rock, e ajudá-la a aprender a deixar a sua vida uma melodia mais tranquila e prazerosa. Contudo, ela decidirá sobre isso.  

Ouvindo: No Me Dejan Salir (Estoy Verde) do Charly García. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O botão do “pause”


* Coluna publicada no Diário do Meio Oeste do dia 21 de abril de 2012. Confesso que fez-me chorar enquanto imaginava  e escrevi. ** 


Ouvindo: Cum On Feel The Noise do Quiet Riot.

Queria ter uma mente tão boa para poder lembrar de quais os primeiros gestos ou atitudes que tive quando bebê. Tenho poucas fotos. Naquele tempo não existiam máquinas digitais e imprimir fotos não era tão barato quanto hoje. Eram as máquinas de filme mesmo. Havia de se adquirir os filmes e depois mandar revelar.  Lembro de uma cena em que eu era fofo. Fofo no sentido metafórico de gente pequena, bebê.

Mas apenas naquele tempo. Hoje ando fofo de gordo. Deve ser por influência da indústria de animais: engorda para abater mais tarde. Mas meu bacon deve ser bem bom. Slápt! É como comida: quanto mais gordurosa parece que é melhor. Mas voltando ao fofo. Tem uma cena que estou de fralda (aquelas de pano ainda com uma cueca elástica para segurar) e com um conjuntinho colorido. 


Nem sei quem fotografou. Minha mãe não foi, tampouco meu pai. Um tio ou tia quem sabe. Independente de quem, pegou nossa posição e marcou nossa história. Tanto a minha quanto a história das demais pessoas. Lembro de minha irmã mais velha; uma menininha naquela foto e ,hoje, um mulherão. O tempo passa e as lembranças também. Poderiam não passar; que ficassem as lembranças que esquecemos. Aquelas boas.


Aquele conjuntinho colorido que sumiu. Deve ter servido para outra criança. Até por que ficar guardando toda roupa de criança não é bom. Bom mesmo é repassar; fazer andar. Não tudo, mas as úteis.  Roupa é um produto que tem vida útil; usa-se e joga-se fora. Antes de jogá-la no lixo, que permita outra criança usar. E tem muitas crianças que fariam bom uso. Tão útil e simpático o compartilhar, o doar, o ajudar.


O velho conjuntinho lembrou-me do que esqueci, ou melhor, do que não lembro. Quiçá permaneça em algum local muito bem escondido do cérebro. Quão bom seria se fosse com controle remoto (daqueles em que a pilha nunca acaba e poderia ser levado para qualquer local, sem atrapalhar): apertar o botão ”retroceder” e visualizar  alguma cena não lembrada ou digitar no botão “pesquisar”.

Redundante, mas o tempo passa a cada instante. Não nos dá a oportunidade de parar e dizer: - Espere aqui até eu decidir seguir. Não temos esta tecla, tampouco controle remoto. Como uma ficção, poderiam apontar que parar o tempo resultaria em estragos para outros também. Imagina se todos decidissem parar o relógio: ninguém seguiria.  Precisamos caminhar para frente, pois neste assunto não tem o contrário.

Supondo que Nosso Criador oportunizasse apenas um “pause” na vida. Você teria de pensar com racionalidade e instantaneidade: em qual momento você apertaria o “pause” da vida? Ou para quem você apertaria o “pause” da vida? Poderia ser um momento bom, ruim feliz, alegre, emocionante, confuso, complicado. Difícil. Muito difícil escolher o momento certo para apertar aquele botão.

Passei a semana pensando nisso. Quis compartilhar um momento de reflexão com você.  Lembrei do meu velho pai; mas não apertaria o “pause”. Ele teve o tempo dele. Tem minha mãe que merece muito este “pause”. Uma vitória, uma conquista, um acidente, uma notícia. O meu “pause” eu sei e faria agora: ficar admirando a minha pequena filha sorrir. Este gesto merece um “pause” infinito, como o meu amor por ela.

Ouvindo: Heroes do David Bowie. 

domingo, 17 de junho de 2012

Quase lá!


** Coluna publicada no dia 12 de novembro de 2011. Era para ser sequencial, mas uma que outra se perdeu na beira do caminho. Nem sempre conseguimos coletar tudo ao mesmo tempo, sentado no acostamento da estrada. **


Ouvindo: Mama I´m Coming Home do Ozzy Osbourne.

Por mais que queiramos ser independentes, não adianta fugir da teta da mãe. Mãe é mão e ponto final. Pai existe aos montes, mas mãe? Uma só. Podemos nos aconchegar no colo de um homem estranho e em poucos dias chamar de pai, porém, mãe, não tem como. Há as antigas mamas de leite, mas hoje, o leite da mãe, o peito, aquele alimento único e exclusivo, só na teta da mãe. E neste final de semana voltarei a ser criança e poderei “mamar”, ao longo dos meus 31 anos.

Calma! Não sou como Édipo, o qual matou o pai e casou-se com a mãe. Isso vem da mitologia grega.  Falo em “mamar” no sentido de puxar o saco, sentir o cheiro de ‘véia’, de abraçar, de afagar um pouco das saudades de quase um ano. Muitos como eu estão longe de seus mais queridos e amados familiares, iniciando pela Mamá. Vem descobrir um pouco mais de Videira e região e aproveitar para conhecer sua mais nova neta, a Sofia. Pois então, já decidimos o nome da nova cidadã brasileira.

Ainda falta um pouco de tempo, alguns três infindáveis meses, mas a nossa pequenina virá. Já tem pouco mais de um quilo e se revira ao longo do pouco, mas aconchegante, espaço que tem. Dá para ver aquela barriga lisinha, macia, carinhosa, trepidar com as estripulias da pequenina. Você que nunca teve, mas terá, não faz noção do que é ver aquela barriguinha meiga subindo e descendo em milésimos de segundo. É rápido demais, mas emocionante. Imaginar que em breve tempo terá um ser a mais para compartilhar a vida... pela vida toda.

E minha mãe, como a sua, passou por isso. Por isso que pai é ruim. Queria eu poder ter esta sensação... de a cada instante sentir se retorcer, mudar de posição, dar um bico na barriga (mas este sem doer). Mas mãe é mãe. Suporta-nos desde antes de começarmos a ser gente. Passam por momentos de muito enjoo, inchaço, engordam, comem mais. Porém, tudo isso é lindo de ver... de longe! Não sei se eu conseguiria suportar isso tudo. É coisa de mãe e não adianta. Poderia dizer de mulher, mas não, isso é de mãe.

E poderei sentir de novo o cheirinho único da minha “véia”, de ouvir sua voz, de sentir sua pele, de tomar café junto, de receber uns afagos (não que não os receba hoje). Entretanto, minha mãe é única e quase exclusiva. Divido-a com outras quatro irmãs e duas sobrinhas. E não me importo. Estes momentos que terei nos próximos dias não podem ser comprados com dinheiro algum. E nunca, jamais, poderão ser equiparados a qualquer outra sensação. Bom, como filho. Mas como pai, ainda estou por descobrir.

A ansiedade me arrebentou durante toda a semana. Ontem ainda mais. Sabendo que ela chegaria em poucas horas, fiz questão de arrumar a casa e dizer que sou um quase pai organizado e parceiro. Posso não ser o idealizado em sonho, mas tento. Até porque nesta fase a mãe não deve (e não pode) carregar peso, fazer força demais, coisas e tal. Que se vire o futuro pai. Pelo menos nisso não? Não sei se eu teria a disposição de carregar um bebê por tanto tempo. Pode parecer fácil e simples, mas não é.

Antes de chegar, eu já te amo. E te amarei... pelo resto dos meus dias, te amarei. Gostando ou não da minha face, da barba, dos meus gostos musicais, eu te amarei. Filha, sinto falta de ti, antes mesmo de chegar ao nosso meio. Mãe, isso é pra senhora... para minha mãe e para a mãe da Sofia. Com minhas desculpas antecipadas, pleitearei ser melhor filho e lutarei por ser o melhor pai. Com amor...

Ouvindo: Lick It Up do Kiss.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A ressurreição


** Coluna publicada no Diário do Meio Oeste, dia 14 de abril. **


Ouvindo: Mississipi Queen do Ted Nugent.

Mais do que outrora, vejo a alegria de ampliar minha rede social da vida. Quando pensamos em família, já paira em paisagens mentais aquelas velhas fotos de muita gente reunida, comida e bebida. Como tenho dois laços que recordam alemães e italianos, comida e bebida sempre estão presentes nestas películas da memória. E quanto mais melhor! Quanto mais gente e mais farta a mesa, mais tarde se volta para casa. 

A Páscoa foi assim: com minha rede social da vida ampliada. Um ser tão pequeno, de dois meses e poucos dias, sendo o personagem principal de um domingo alegre e chuvoso.  Poderia a mesa ter sido ainda maior, caso a distância não afetasse a vida profissional de alguns integrantes. Mesmo de longe, a reunião é celebrada, n´alguns instantes recordando do que se foram, celebrando os que chegaram.

Parece que o ano iniciou trazendo renovação. Mas já estamos no quarto mês? – perguntaria. Sim, correto e concordo. Mas a cada dia que nasce o sol, ou surge a claridade (em dias nebulosos), um ano novo urge das estranhas desta deliciosa vida. O que passou foi ontem o que futuro é agora, pois o amanhã ninguém tem certeza. Confuso, mas muito real. O aproveitar da vida mudou de concepção.

Acordar com um sorriso sem dentes todos os dias é revigorante. Contagia e emociona. Imaginar que todos os dias do resto da vida serão distintos, um do outro, apesar de os personagens serem os mesmos, é incalculavelmente estremecedor. Até ontem, programava-me para acordar, escovar os dentes, tomar banho, quem sabe um café, escovar os dentes de novo e trabalhar.

Voltaria para casa algumas horas depois, esquentaria alguma coisa para comer, faria um café e navegaria na internet. Havia a possibilidade de alguém ligar e convidar para algo, uma janta, um churrasco, uma cerveja, um papo. Mas largo tudo isso, por mais que me deixasse alegre, para ver um sorriso sem dentes todas as manhãs. De maneiras distintas, o sorriso e a forma de olhar são diferentes. Rotina nunca mais.


Quando avalio o que era ontem, via algumas datas em destaque. Do dia para a noite, surgiram, do nada, mais algumas. Filhos são alegrias para 97% das pessoas (há aqueles que teimam em não gostar, mas mesmo assim os têm) e custam. E quem diria que qualquer coisinha tão pequenina custe tão caro. Já olhava as roupas femininas: quanto menos pano, mais caro.

De uma forma lógica, quanto menor, mais barato; menor quantidade, mais barato. Para criança é tudo diferente. Como para mulher, menos por mais. Mas é bom demais. Ainda bem que o “Zé” não faz mais parte do meu dia a dia. Deixei a fumaça para outros. Não parei, mas ainda sigo tentando. Boa hora: está menor e mais caro também. Apesar de tudo, o céu segue lindo e as estrelas mais brilhantes.


Ouvindo: Take It Easy do The Eagles.

domingo, 27 de maio de 2012

Preservar para pensar


Ouvindo: Landslide do Fleetwood Mac.

            Da neblina que cerrava minha visão, uma luz se fez e disciplinou as gotículas que formavam aquela barreira tangente. Aquela mesma nuvem que pairava, me cegava; transtornava. Queria acreditar que vivia no inverno londrino, sob as temperaturas baixas e o quase permanente clima nublado. Os raios do sol que eram ateados sobre meu corpo, esconderam-se. As vozes que afligiam o inconsciente da minha alma emudeceram. Os gritos já não eram mais ouvidos, emudeceram. Restava a paz.

            E que assim seja. A paz que trago agora em meus braços não se comparam àquelas que antes me atingia. A sofreguidão de outrora desaparecera como a chuva no sul do Brasil. Durante toda a estiagem de sofrimento e angústia, eis que surge a precipitação de lágrimas sorridentes, que corro em atingi-las com minhas mãos, sorrindo e deixando-as escorrer sobre meu rosto. Sorrio diante da umidade que se cria sobre minha pele. Enfim, sinto a paz.

      
            Hoje tenho pressa. Corro e, ao que parece, fico no mesmo lugar. Caminho, mas permaneço parado. Durmo, mas sinto tudo continuas acordado. Os sonhos rarearam. As noites longas escassearam. Os dias encurtam, as palavras faltam, os sons tomam conta. A música paira e penetra nos sonhos que não sonho, durante as noites que não durmo, nos dias em que acordo e nas tarefas que não faço. A calmaria teima em seguir, onde for, onde quer, onde deve, onde sente o desejo de paz. 

            
            Além dos devaneios, a falta de chuva que hoje atormenta muitos, me preocupa. Vivemos em um mundo onde há muita água; salgada. Devemos reduzir o sal e as gorduras das nossas refeições. Pode causar hipertensão. Não adianta, só sentimos falta de algo quando não o temos mais. E, apesar de tudo, tentamos valorizar, mas parece que o valor devido não é o suficiente. Necessitamos de mais; chorar. A falta não proporciona a paz, como se houvesse uma dependência química, hipossuficiente.

            O que me faz refletir em paz é a falta. Sinto falta quando estou longe. Sinto paz quando estou perto. Sinto a necessidade de estar perto, de sentir perto, de saber que está por perto. Mesmo longe, preciso estar perto. Devaneios acerca de um tema escasso, persistente, permanente, presente. Senti sede e não tinha água; sofreguidão. Tive de esperar sair e buscar, beber e saciar. A sede dói, corrói, machuca, entristece, preocupa, adoenta, enlouquece.

            Preservar é um dos laços que devemos ter para com todos. Preservar os laços afetivos na família, com os filhos, com os irmãos. Preservar os laços com os colegas, amigos, vizinhos, inimigos. Lutar por preservar antes que seja tarde demais, antes que falte. A falta dói, corrói, machuca, preocupa; enlouquece. É necessário preservar. Preservar a vida, os laços, a água, o amor, a compaixão, o carinho, o respeito, a vida. É necessário estreitar os laços, é necessária a preservação da paz em cada um.

Ouvindo:  Man on the Silver Mountain do Rainbow.