sábado, 24 de março de 2012

Woodstock

Ouvindo: Going Up The Country do Canned Heat.

            Queria eu ter nascido por volta de 1950. Caso isso tivesse ocorrido, teria dado um jeito de ir assistir ao Woodstock.  Teria lá meus 19 anos e, legalmente, “maior”. Poderia bater o pé com meus velhos e dizer: “Sou maior e estou indo para os esteites. Até breve!”. Claro que não seria bem como se visualiza, mas, como toda boa ficção, simples assim. Apenas para ver as bandas que até hoje eu admiro. That is it!


            Porém, hoje, um pouco mais idoso e avaliando como o mundo se comporta, pensaria duas vezes. Quem sabe assistiria pela televisão. Naquele gigantesco evento, realizado exatamente 11 anos antes d´eu vir a aparecer neste planeta, os pensamentos eram outros, distintos, quem sabe, mais verdadeiros. Aquela antiga trilogia do rock, mas que bem citarei. Mudaram-se os conceitos, as leis, os eventos, os ideais.

            Dificilmente daria aquele recado aos meus velhos. Bater a porta e seguir mundo afora, sem rumo, deixo para os escritores de livros, para os diretores de cinema, os roteiristas, enfim. Apenas fecho meus olhos e imagino, por uns segundos apenas, isso. Mas no fundo, nem me permitiria. Quando é algo que queremos, por vezes, não calculamos as conseqüências, enfim, coisa de criança.

             Mas hoje em dia, com os dias se aproximando, mais uns poucos safados dias que não passam para minha tão esperada filha nascer, ficaria **** caso ela chegasse e me dissesse aquela expressão da terceira frase do primeiro parágrafo. Nem pintada de rosa e com a voz dengosa de filha amada e querida. Quando o Brasil deixasse de lado a corrupção e vivêssemos honestamente e em segurança, eu, quem sabe, deixaria.

            Claro que os pais não colocam os filhos para eles mesmos, mas para o mundo. As pessoas pertencem ao mundo, não à um ou à outro. Mas, quando podemos tentar escolher o melhor para alguém, independente de quem seja, o faremos. São todas suposições da minha ansiosa mente. Apenas tento me colocar como filho, pois sou filho também, nos últimos meses com estas palavras e neste espaço.

            Sou filho e terei uma filha. Como filho, deu dores de cabeças aos meus velhos (mas não muitas). Quando se é pequenino, tudo é possível, tudo é fácil e nada custa. Tudo é de graça. “Paiê, me dá isso. Manhê, quero aquilo. - Não dá filho! Buááááá!” Não era assim com você? Mas, hoje, sabemos que não é bem assim. Nem nunca foi. Quem sabe estejamos num lugar com muitas pessoas. E pessoas são os piores seres vivos.

            Somos a única espécie que mata por dinheiro, rouba por diversão, come o que não precisa, joga fora comida, chuta o mendigo, bate na mulher e ouve pagode, sertanejo e bandinha. Palamordedio. Vivemos em um mundo inseguro e não queremos que, quem amamos, sofra algo na rua ou passe por dificuldades. A superproteção é inerente a vontade, ao desejo da liberdade do outro. Egoísmo.

            Convenhamos, não desejo cercar minha filhas por todos os lados e deixar a vida como um círculo fechado. Limites, são úteis e devem fazer parte. Contudo, onde é este limite? Onde inicia e onde finaliza? O que é bom pra mim é bom pra ela? O meu certo é o mesmo do dela? Como o exemplo inicial, do “estou indo”, quem sabe a minha alegria, possa ser a tristeza dela e vice-versa. Porém, se me convidar, irei junto...

Ouvindo: With A Little Help From My Friends do Joe Cocker. 

domingo, 18 de março de 2012

Novo ano

Ouvindo: Running Round do Warfield.

            Resta muito pouco tempo. O tempo de agora foi ontem. Tenho a impressão de que houve um salto no tempo. Quando fico a pensar no tempo, imagino ter sido ontem, algo bem recente, portanto. Ledo engano: o meu ontem faz oito meses. São dezenas de dias que se passaram, um após outro. Muito ocorreu, ao mesmo tempo que sinto que nada ocorreu.

            O Natal passou, o ano novo, os fogos e retornamos ao real, ao cotidiano. Interessante como todo final de ano sempre surge como se algo de mágico fosse ocorrer: encera o ano e tudo começa lindo e mudado, novo. Quando chega o dia 02 de janeiro, chegamos ao trabalho e avistamos que foi apenas mais um final de semana que passou e nada mudou. Mas a sensação de uma possível mudança é gostosa.

            Não sentia ansiedade até começar este ano. Porém, já sinto a ansiedade aumentar. Como a ansiedade de uma viagem tão planejada. Mudei sim. Pelo menos estou tentando. Não planejei. Apenas deixei algumas coisas com minha santinha, agradeci por tudo e segui meu rumo. Junto daquela ansiedade que contava linhas antes, vem a abstinência. E como é chata esta porcaria.

            Já engordei mais do que deveria, quem sabe mais do que a mãe da minha filha. Até no livro do bebê pede: quantos quilos engordou a mãe? E, pra me sacanear, quantos quilos engordou o pai? Resolvi parar de fumar e algo novo surgiu dentro de mim: a fome. Nunca senti tanta vontade de comer (qualquer coisa, principalmente doce) como estes últimos dias. A voltinha na janela também faz falta.

            Com isso, caminho pra lá e pra cá, ando mais nervoso do que o normal e sempre faminto. Sento alguns minutos a escrever e já fico pensando (e tentando lembrar) no que tem no refrigerador. E uma coisa que fico pensando neste momento: porque tudo que é bom engorda? Não me venha dizer que aquele chocolate sem açúcar é gostoso ou a Coca Diet é legal. Só química. A água nunca foi tão sem gosto como é hoje, mas ajuda.
            Não sei se fiz isso por minha vontade ou estimulado pela chegada da minha filha. O nome dela já foi escolhido, o quarto está todo pintadinho e lindo, os apetrechos todos organizados. Obrigado por isso tudo, Fá! Não comprei nada pra mim no Natal. Parar de fumar não é um presente para minha saúde, para eu aproveitar. Tento imaginar que fiz isso pelo mundo. Não garanto que nunca mais, mas estou me segurando bem.
            E o que faz esta dependência por um treco tão gostoso como é o cara ser tão boa? Não me critiquem por fazer apologia, pois não o estou. Apenas relato uma sensação, experiência pessoal. Fumar é bom sim. Há por nascer quem diga que não. Não pela dependência, mas pelo simples ato de fumar, aspirar aquela fumaça quente e depois jogar fora. Aquele que não gosta, paciência.

            Sempre há a questão de respeitar. Respeitar quem não fuma, como deve se respeitar quem fuma. A rua sempre tem dois lados. Bom para ambos. Esta de proibir fumo em tudo quanto é lugar é bobagem. Mais fácil proibir a produção, não é mesmo? Opa, um probleminha surgiria: os impostos. Contudo, acredito, apesar de tudo, que faço um bem pra minha saúde e para o bolso também. Ops, bateu a fome de novo...

Ouvindo: Growing Up  do John Sykes, Phil Lynott & Rick Wakeman. 

terça-feira, 13 de março de 2012

A delicadeza do homem

Ouvindo: Bohemian Rhapsody do Queen.

Pimenta nos olhos do outros é refresco. O homem sempre é um ser tão delicado com tudo, tanto quanto um elefante caminhando entre os pés de alface. Até poucos dias, todo bebê era igual. Com o rosto de joelho, inchadinho. Alguns até pareciam joelhos peludos, em razão da vasta cabeleira. Não me colocaram na frente do espelho quando nasci, mas não devo ter sido tão diferente.

Quando um amigo chega para visitar o filho do outro já vai dizendo: “mas que carinha de joelho mais fofa”. E olha que ele ainda foi delicado. O pai, todo feliz, ainda sorri e dá um abraço. A mãe, ainda bem que nem ouviu. Do contrário, alguma coisa sairia voando. Mãe é mais protetora. Homem é tão delicado e suave com este tipo de assunto, de visita, de momento.

Apesar de que ando repensando esta minha posição. A minha filha ainda nem nasceu e já ando pensando no que farei se alguém, bem contente amigo, me disser isso. Nem esperarei a mãe chegar. Alguma coisa voará em direção ao sujeito. Por isso a frase que inicia esta coluna. Quando é para os outros, é divertido. Com a gente, a história muda, a página vira e os personagens brigam.
Falta pouco. Quem sabe um mês, pouco menos, um pouco mais. Está fora do meu alcance. Sou favorável que ela venha quando ela pensar ser melhor. Que Pai do Céu converse com ela, ao pé do ouvido, e diga: “Filha, pode ir. Tem pessoas que te amam e te esperam ansiosas! Vai, que EU te protegerei!” Bah! Chorei! Não era para ser assim, mas sim um texto simples e alegre, contente, sorridente.



Mas, no fundo do meu coração, sei que Pai do Céu está pertinho dela, da mãe dela. Cuida tão bem delas quanto cuida de mim, desde que eu cheguei ao mundo. Como faz o mesmo com você. Devemos, nos obrigamos, a nos apoiar e acreditar em algo, independente de vermos e tocarmos ou não, de simplesmente, imaginar. Imaginar algo sem rosto, sem voz, sem forma, mas saber que existe.

O Natal, semana passada, foi mágico. Tivemos a oportunidade de bajular e sermos bajulados. Aliás, quase ninguém me viu. Nos últimos tempos, andam vendo apenas a pequenina. Mas nem me importo. Sei que estou perto e, quando der, alguém me abana e diz: “Bah! Nem te vi, mas que bom ver você!”. Foram momentos lindos, mágicos, mas rápidos. Um controle remoto e eu apertaria o pause ou o slow motion.

Pararia o tempo por alguns momentos mais e poderia aproveitar mais a minha turma de casa. Um para cada lado, de lados opostos, mas unidos pelo amor de família. E cada ano maior. Isso é o importante da vida: o amor de quem a gente ama. De amar, ser amado, brincar e sorrir. Chorar, se necessário, mas de emoção pela chegada e pela partida. E, dentro de alguns dias, chorarei pela chegada.

De qualquer forma, para você que está debruçado sobre o jornal, deixe seu vizinho, seu irmão, pai ou mãe, ler também. Quero desejar um 2012 lindo para você. Quero que quem estiver perto de você seja abraçado também. Um abraço conjunto, grande e gordo. Bem apertado de felicidades para todos nós no ano que chega em pouco tempo. Deus nos guie e ilumine novamente. Amém!

Ouvindo: Take It As It Comes do Ramones.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O gato e eu



Ouvindo: Great Expectations do Kiss.

Como é bom chegar em casa e ir ver o quartinho da minha filha. Aliás, primeiramente ser recepcionado com um belo miado, dengoso e pedinte, e depois ver o quão belo está o espaço. Ainda falta uma coisinha que outra, mas o “grosso” está feito. Bem pintadinho, com os móveis instalados, o bercinho da cor do quarto, da mesma forma o roupeirinho e a comodazinha. Tudo ‘inho’ e ‘inha’ e quase igual.

Caso dependesse apenas da minha pessoa, não teria nada. Mulher é melhor nisso. Aliás, em quase tudo. Mais despachada com tudo. Deve ser o sentimento de mãe. Acredito que o homem já deixaria tudo pra última hora. Como naquele caso da torneira pingando. Vai e coloca um remendo provisório (e que deve durar a vida inteira) e depois vê como fica.


Até porque não podemos perder compromissos importantes como a novela das oito ou o filme do Chuck Norris. Nunca que um sujeito em sã consciência perderia um evento desta natureza. A torneira que espere! E com os apetrechos do bebê da mesma forma. Comento isso por mim e não generalizo. Não que eu seja um sujeito ruim e despreocupado com tudo, mas uma fralda é mais importante do que a roupa.

Graças ao meu bom Papai do Céu que tenho um ser único ao meu lado. Apenas sirvo de apoio e atrapalho quando posso. Aliás, o gato e eu. Enquanto a mãe arruma, os dois atrapalham. Tento me imaginar quando ela nascer. E falta pouco! No trabalho me pediram o que eu quero de presente de amigo-secreto. Sugestões. Coloquei fralda e discriminei tamanho e marca. Assim não erram.

No ano passado criei certa experiência com isso tudo.  Amamentação, modelo de fralda, o que não dar de comer, como fazer papinha, os horários para dormir, os ruídos, as visitas, se está frio ou calor pro bebê, coisas assim. Fiz um inesquecível (e com saudades imensas da minha sobrinha) curso intensivo. E sabe, sinto saudades gigantescas disso tudo.

Outra coisa, chega fim do ano e a nostalgia parece que aumenta. Chega a doer o peito. Sinto tantas saudades dos meus amores, as minhas sobrinhas. Caso já seja meio dengoso com elas, tento me imaginar com a minha filha. Família é tudo. Não que devamos estar sempre juntos, grudados, perto. Até porque isso parece que afasta um pouco. Quando há o reencontro, vem a emoção.
E é desta emoção que estou sentido falta. Sentir o cheirinho de minhas manas, meus cunhados, das minhas sobrinhas, da minha veia, do gato preto (e Negão), do meu pai. Tenho de ir tirar um tempo e ir visitá-lo no cemitério. Triste, mas é verdade e ponto. De qualquer forma, já sinto saudades de um ser que ainda nem chegou. Quero ver o rostinho dela e sentir o cheirinho bom (e não apenas em foto de ultrassom).

Estivemos em um estúdio para tirar as fotos ontem. As roupas forma escolhidas com cautela. Apenas tive de me endireitar e ficar bonito para mostrar pra ela quando começar a compreender tudo melhor, ficar maior. E fui com as camisetas que peguei especialmente para isso, de uma banda que ela ouvirá comigo. Uma pra mim e outra pra ela, pequena, mas não tanto quanto eu gostaria. Já estou ansioso pela chegada do Natal, do Ano Novo, da vida nova...

Ouvindo: A Hard Rain's a-Gonna Fall do Bob Dylan.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Nomes

Ouvindo: Push do Matchbox 20

Fico imaginando o quão complexo é escolher um nome. Caso já seja difícil nominar um gato (o gato animal), imagine um ser humano, uma pessoa. Isso tem de ser muito bem pensado, pois seguirá o fulaninho(a) pelo resto de seus dias, ou até que a Justiça o liberte desta praga imposta pelo pai (ou pela mãe). Convenhamos, concordo com nomes diferentes, mas maltratar o rebento é 'pacabá'. Os pais deveriam ser presos!

Posso afirmar isso com razão. Meu nome é diferente. Sim, bem diferente. Existem poucos no mundo. A parte boa é que nunca tem nome repetido na sala de aula. Distinguem-se os estudantes pelo sobrenome. Mas além de diferente, o meu é looongo. São cinco nomes que fazem parte do meu nome. Complicado? Não, orgulhoso. 


Meu velho, que já se foi para o além, quis seguir o que meu avô (e seu pai, consequentemente) fez: homenageou os dois avós e as duas famílias. Resultado: cinco nomes. Lembro como se fosse ontem quando as professores reuniam todos os estudantes do turno no pátio e começavam a chamar os nomes, para formar a turma. Para não dar erro, convocavam pelo nome completo.

Chegava a minha hora e ia a professora: “Iaran Antônio Iz...”. Nem terminava de dizer e já estava eu gritando para parar que eu era o único na escola e ponto. Assim economizava-se tempo. E todos os anos foram assim. Chegou um momento em que a professora, quase sempre a mesma, já ficava me procurando e apontava. “Iaran, tu vais ficar nesta turma”. Creio que era a 7ª ou 8ª série.

E já ia bem feliz, olhando pra ver se tinha carne nova na turma. Até porque, quase todos se conheciam e poucos eram os novatos na escola. Uma transferência que outra. Hoje nem sei se mais é assim. Tive colegas que nos conhecemos no maternal e fomos até o antigo 2º Grau. Sempre juntos. Já os nomes eram sempre conhecidos. Mas nome diferente causa estranheza e é motivo do atual bullying.

No meu tempo nem era bullying. Era uma encheção do capeta mesmo. O sujeito com nome estranho, basicamente o novato, era já taxado com algum apelido. Mas depois passava. Ou pior, ficava. Meu velho me chamava todo dia de algo diferente: negão, macaco, jacaré, o titular Neno, filho. Dependia da lua do veterano. Mas era carinhoso e sinto saudades, mas deixa papo triste de lado. Hoje eu gosto do meu.

Pensando bem, escolher nome é uma responsabilidade eterna. Tem de relevar não apenas o que o pai, a mãe, os tios, a família gosta, mas o que o filho(a) pensará sobre isso. Já não é mais permitido colocar nome feio nos filhos. Ainda bem. Porém, deveria ser permitido que o filho(ao), quando maior de idade, possa escolher seu próprio nome. Seria um nome temporário.

Na pior das hipóteses, contrariaria os pais, mudaria todos os documentos, revolucionaria os sistemas de informação, mas deixaria uma pessoa com nome estranho (por culpa do pai ou da mãe) mais feliz. Importante é ser feliz e deixar que sejam felizes. Isso é o que temos de dar aos filhos: o máximo de felicidade possível. O nome da minha filha já está escolhido e espero que ela goste, como eu já a amo.

Ouvindo: Black Days do John Sykes.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Escolhas

Ouvindo: Living After Midnight do Judas Priest.

Quando assisti ao show do Judas, anos atrás, não tocaram este som. Não pude ouvir da voz em falsete do Rob Halford uma das primeiras músicas que escutei destes britânicos. Não que seja apaixonado pela banda, mas aprecio. Até porque são conhecidos por incluírem a velocidade e muito peso no heavy/hard rock. Aquele sujeito, que outrora era cabeludo, passou a exibir uma careca invejável. Bom, depois assumiu sua homossexualidade, etc, mas não vem ao caso.

São situações que muitos se deparam durante a vida. Podem teimar em ser isso ou aquilo, e batem pé: não, não e não! A questão é assumir. Alguns assumem, outros não. Aliás, o Halford foi o primeiro roqueiro, que tenho conhecimento, que assumiu, durante um show, sua opção sexual. Dias atrás foi o Ricky Martin, teve o Freddie Mercury. Devem ter vários outros, mas problema deles. Cada um com suas opções e ponto. Ponto final só porque não é com a gente. Como lidar com uma escolha assim?


Nem sei o motivo que me veio em mente sobre tal assunto, mas tento transmitir a questão de opções. Optamos por tudo na vida (ou quase tudo).  Quem sabe até nascermos é questão de opção, de escolha. Escolhemos dar um “chega-pra-lá” naquele espermatozóide que estava na frente ou ao lado e nos inserimos no útero da Mamá. Poderíamos ter deixado para outro sujeitinho vir ao mundo, mas quem sabe seja escolha, mesmo que inconsciente.

E conforme o tempo vai passando vamos escolhendo. Optamos por esta roupa, por aquele tênis, aquele sapato, aquela televisão, aquele programa de televisão, este curso, esta vida. Opa! Esta vida? Que vida escolhemos? Ou escolheram por nós? Queria eu ter uma vida onde não assistisse a tragédias diárias, que não ficasse sabendo de falcatruas, de crimes, de fome, de sede, de cidadão sem roupa ou casa para viver. Queria eu poder escolher viver num mundo em que pese a igualdade e não o desigual.

Sonho, cada vez mais, em como será o meu Brasil dentro de uns 10 ou 15 anos. Isso porque queria ser vidente a ponto de saber onde poderei criar minha filha e o que poderei oferecer para ela. Esta opção eu não quero que o mundo dê para ela. Quero eu poder mostrar um caminho bom para ela. O mundo que presenciamos está suspenso em falsas atrações, sejam drogas, violência, o sertanejo e as bandinhas. É, tem coisas que não desejo que ela opte. Baterei o pé e fecharei a porta, se necessário.

            Pode ser fácil tentar simular isso antes de presenciar. Bom, é um caminho. A teoria sempre é mais simples. Criar uma filha não deve ser tão simples quanto nos pareceu aos nossos pais. Nem sei se já perguntei pra minha Mamá se foi fácil criar, educar, incentivar ao aprendizado, e dar de comer para minhas irmãs e para este guloso. Aparentemente foi simples e fácil, já que sou um sujeito bem legal, querido e humilde (sic!). Minhas irmãs também são tudo isso e muito mais.

            Apenas espero que possa ver a minha pequenina feliz no ambiente que for criada, independente da marca da roupa, da cor do sapatinho, do tamanho da televisão. Apenas sei que, musicalmente falando, ela terá um incentivo muito grande e forte, tanto do pai quanto da Mamá dela.  Ouvir as canções calminhas da Mamá dela já faz efeito e, na barriga, já se debate. Quem sabe goste. Mas quando ela nascer, poderei sentar com ela e mostrar (e fazer ouvir) o que o pai dela foi criado e educado a apreciar.

Ouvindo: Poison do MC5.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A corrosão da alma

Ouvindo: The Sky Is Crying do The Yardbirds.

Há algo mais perturbador do que o sofrimento? Pode-se dizer que a dor de um machucado é ruim demais, mas com um remedinho ela “some”. Mas a dor do sofrimento não passa. Pode ingerir o medicamento que for, mas a dor não passa. Ainda está por surgir um remedinho para acalentar a dor contida no interior coração, no mais profundo cantinho de nosso coração. Existem alguns pesquisadores se dedicando nisso, mas nada de útil até agora.
Dias atrás estive lendo algo a respeito do sofrimento. Há pessoas que padecem pelo sofrimento. Desta dor mental, surgem outras mazelas que o corpo humano não suporta e não se cura; definha. Até onde será que conseguimos suportar o sofrimento, aquela dor insuportável que nos acomete de tempos em tempos? Pode-se dizer que ela nunca surge, mas ela aparece. Mesmo sem querer ou razão, ela surge, como uma fênix das cinzas.
Tento imaginar que sofremos por que queremos ou por que nos permitimos? São insinuações dúbias ou semelhantes, mas distintas. Querer tem um contexto, permitir outro. Posso querer algo, mas não ser permitido. Posso ser permitido a fazer algo, mas não querer. Indiferente a razão pela qual queremos isso ou aquilo, optamos, e acabamos sofrendo. Sem dor ou sofrimento não há razão de seguir. Até super-homem chorou em um dos filmes!
Pelo sim ou pelo não, motiva-me refletir sobre o querer lutar e sofrer, mas não se entregar.  Enxuga-me minhas lágrimas que eu quero ver onde estou e quem me fere! Quero ver o rosto de quem me causa dor, sofrimento.  Erga-se deste chão úmido e tenha coragem de cerrar seus olhos sobre os meus. Entretanto, quem me faz sofrer? Neste ponto é que surge o “permitir”. E este “permitir” já é assumir parte da responsabilidade.



            Esta corrosão do interior penetra a alma, que penetra o corpo, que penetra as veias, sangue e padece. Padece por não ter mais razões plausíveis de seguir, de lutar, de levantar a cabeça e olhar para quem o abate. Encosta sua mão no chão, cerre os punhos e levante-se. Pode não ser simples, tampouco fácil, mas é a única arma que tem. Ninguém fará isso por você. Unte sua força com o desejo de viver.


            Deste mistifório pode refazer as chagas deixadas, do sentimento de um corte profundo e que, algum dia, sarará. Cedo ou tarde, o corte se fechará e a lembrança persistirá. Mas não olhe a marca deixada pensando no sofrimento, mas na força que teve de cerrar os punhos e levantar. Algo brilhante logo surgirá. Tão logo deixará de recordar as chagas advindas do sofrimento para enaltecer as conquistas de não pertencer mais ao chão.
            Isso porque passamos muitas coisas ruins durante a vida; seja quando crianças, quando adolescentes, quando adultos. Todos, sem exceção, passam por alguma chaga interna. E olhe em sua volta: onde está?  Vivo, não? Então, resta aproveitar destas marcas e sorrir para elas, lutar sem medo e dar a cara ao próximo que quiser bater. Parar e pensar...  pensar no futuro. Meu futuro está chegando... e conto os dias para que se faça em luz!!

Ouvindo: She Did It To Me do Slade.

A educação de meu pai



Ouvindo: Desperate People do Living Colour.


Quando crianças, somos incentivados a aprender. Incentivados ou obrigados. Faz parte do nosso contínuo desenvolvimento como ser humano, como gente, como cidadão. Quando mais velhos, tudo o que aprendemos - grande parte de nossos pais - já não serve mais como parâmetro. O mundo muda nossas atitudes a cada instante. Quem sabe aceitamos estas mudanças, consciente ou inconscientemente.
Isso me leva a repensar sobre o que aprendi, o que aprendo e o que ensinarei. Até porque esta é uma grande preocupação que tenho. Será que o que me foi ensinado valerá para daqui alguns anos? Da forma como me ensinaram será suficientemente salutar para aquele ser que, quiçá, servirei de exemplo? Algumas ações sim, outros quem sabe, outras, porém, não.
Muitos de vocês devem ter começado a vida e até seus 10, 13 anos, recebendo a educação de: filho(a), você é o primeiro a obedecer e o último a falar! Ai de quem dissesse: mas eu...! Pode ter certeza que seria um cascudo ou, no mínimo, você e o quarto. Mas será esta mesma a educação que devo repassar? Depois de “grande”, aprendi que respeitar é fundamental, mas obedecer nem tanto.
Não terminei ainda, mas estava pensando em um filme que vi ontem: A Árvore da Vida. Trata do relacionamento de pais e filhos. A mãe superprotetora (como a maior parte o é) e do pai rígido (carrancudo e querendo que os filhos sejam, no mínimo, como ele). Um dos filhos morre e a tristeza impera. Até esta parte é compreensível a tristeza e o abatimento. Mas, os filhos crescem.
Um deles, o mais velho, é quem sempre foi “ensinado” a ser o melhor em tudo – até que o próprio pai - e, com razão, acabava sentindo um certo ciúme dos irmãos. Passados anos, o mesmo filho se torna um cara de extremo sucesso, certamente recebendo louros do pai. Porém, algo o persegue: a tristeza. Passa a viver pensando que foi culpado pela morte do irmão, sente um vazio gigante e a infelicidade o transtorna.
Muito deste sucesso foi motivado pelas forçadas tentativas do pai. Por um lado, obteve êxito o velho ao ensinar ser forte e ser o melhor entre todos. Mas não ensinou qual o peso que ele teria de carregar sobre as costas para obter tal sucesso. Volto a pensar sobre o que devo ensinar para minha filha. Passo uma inconstância entre alegria e angústia. A felicidade de ver o pezinho gordinho e a criança que crescerá.
Não é cedo demais para pensar e já estudar psicologia, psicopedagogia, educação infantil ou medicina. Quero saber de tudo, a fim de ensinar o que pode ser o melhor. Ou quem sabe estou me precipitando e deixando algo que deve vir com o tempo? Devo estar sempre perto para ajudar no que for possível ou deixar que se desenvolva sozinha? Uma dúvida que vem surge como pai e como filho.

Ouvindo: Carry on Wayward Son do Kansas. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Socorro!

Ouvindo: Ride A White Swan do T.Rex.



A cada dia que nasce torno a contar o quanto falta para chegar um dos presentes mais lindos que eu ganhei em toda a minha vida. Não sei ainda se já tomei ciência do que está por vir. Quem sabe a imensidão da alegria torna-se em um mar de questionamentos, preocupações. Ainda bem que existe mãe nesta hora.
Não apenas a nossa mãe, a avó, mas aquela que leva o presente para todos os lugares onde for. E, convenhamos, por melhor que seja o pai, é esta mulher quem se preocupa com tudo. Desde um simples brinquedo a ser entregue com um ano de idade até a menos provável roupa a ser usada ainda na maternidade.
Para nós, meros e impotentes homens, resta calar ou seguir o que nos pedem. Uma coisa que outra até que nos apressamos e vamos atrás. No fundo, porém, bem sabemos que são elas quem se preocupam com tudo, com os maiores e menores detalhes. Quem sabe nós, preocupemo-nos com coisas banais como “será que chorará muito?”.
Passaram-se alguns meses. Outros poucos ainda restam para deixar tudo pronto para a grande estreia. Como um espetáculo que esperamos meses para participar. Como um show que aguardamos ansiosos pelo dia chegar. As horas não passam e a ansiedade toma conta, sufoca, preocupa. Resta aguardar os dias passarem. E que cruzem rapidamente!
Não sei se todos, ou alguns poucos, se preocupam tanto quanto uma mãe. Podemos ir ao supermercado, carregar as compras, segurar as sacolas, mas são elas quem os levam passear, dormir e comer. Até passam momentos, mesmo que sem perceber, fazendo carinho neles. Aquela mão forte e imponente que suavemente acaricia a barriga.
Acredito que estes toques não passam de ansiedade por chegar o momento de segurar aquele ser tão pequeno e indefeso. O toque que anseia por segurar e fazer carinhos naquelas mãozinhas tão pequeninas, gordinhas, macias, meigas. Olhar para aqueles pezinhos inchadinhos, fofos, com vontade de dar uma mordidinha. 
Mas não vejo a hora de levar um cutucão às três horas da manhã de uma terça-feira, chuvosa e preguiçosa. “Agora é a sua vez!”, diz aquela voz próxima, sonolenta e bem baixinho. O corre-corre nunca antes visto de uma madrugada em função de um bebê. Deve ser maravilhoso. Bom, ainda não sei.
Aliás, deve um pai ou mãe duvidar disso. Ter de acordar de madrugada para socorrer, alçar uma fralda e, com olhos ainda pequeninos de sono, acolher o bebê. Pode até ser maravilhoso, mas depois de algumas vezes, deve se tornar... hum. É, resta esperar para saber como, de fato, será. Deve ser a habilidade que o ser humano tem de se adaptar as suas necessidades e obrigações.
À mãe, à futura mamãe, meu agradecimento. Quem sabe desculpas pela ansiedade que não permite colocar tudo em ordem. Ordenar isso tudo é complexo, estranho. Uma novidade que, como eu, muitos pais devem passar, sofrer, sentir. O ruim disso é sentir-se inútil em muitos aspectos. Ter o desejo de fazer, mas se impedir.
Por mais esforçados que sejamos, ainda não nos comparemos ao fato de ser mãe. E para melhorar isso e alguns pontos a mais, junto com outros futuros pais, participarei, muito contente, de um curso específico para isso. Tirar minhas dúvidas, esboçar meus anseios e, quem sabe, ouvir sensações semelhantes das minhas. Amo vocês!

Ouvindo: Taking Your Chances do Saxon.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sentidos




Ouvindo: Man On The Silver Mountain do Rainbow.

Independente de quem nos criou como seres humanos, teve a gentileza de nos dar os sentidos. E estes troços são fantásticos. Podemos ver uma bela churrasqueira, tocar em um pedaço de picanha ainda gélida, sentir o gosto da lasca de um pedaço de carne, sentir o cheiro dela assando e ouvir o estalar da brasa. Que prenúncio mais bocó para falar do sentir e escutar.
Porém sou gaúcho e não poderia deixar de exaltar um dos costumes que retratam a minha terra, uma das várias áreas culturais do meu Rio Grande do Sul. E sei que, se não todos, muitos do que estão pousando os olhos sobre estas palavras apreciam o tal do churrasco. Mas convenhamos: é bom, não? Coloca gelar a cerveja e me convide depois. Até faço questão de queimar a barriga em frente ao fogo.
Porém, volto aos sentidos. O tal do criador deu esta oportunidade de ver, sentir e ouvir. Ando reparando mais do que normalmente o fazia. Não sei se é porque estou grávido também que vejo muitas lindas gestantes perambulando por aí, comprando, expondo aquele barrigão lindo. Eu vejo beleza nisso. Quem sabe aquele serzinho lá dentro me motive a ver a beleza e o privilégio que este mesmo serzinho terá quando grande.
A oportunidade de colocar uma mão grosseira em uma barriga, ao que parece, tão frágil, mas se colocando como um forte intransponível. Por dentro daquelas várias camadas existe alguém. Alguém que respira, que se alimenta, que ouve, que sente, que se comunica. Mais coma mãe do que comigo, aqueles chutinhos são formas de comunicação. O que diz? “Hei! Tem alguém aqui dentro!”
Esta forma de comunicação dá um arrepio sem tamanho. Por mais que senti medo na vida, nunca senti medo como este: de ser responsável por alguém pelo resto da vida. E dá medo sim. Digam que não, mas quando paro a pensar em como fazer para que tudo ocorra da melhor forma possível durante a sua futura vida com todos nós, tento imaginar como fazer. Creio que a mãe seja melhor nisso do que o pai.
Aquele toque na barriga nem sempre gera o resultado esperado. Fico esperando aquele tum-tum, cobiço uma resposta. Nem sempre aquele tum-tum é perceptível por minha grosseira mão. Não que eu fique horas e horas com a mão na barriga, mas quando ouço o sinal de que alguém está acordado, pouso minha mão – e tento fazer de maneira suave. Mas a pequenina não dá um chute tão forte quanto eu imaginava. São delicados toques.
Esta comunicação me deixa apreensivo. Já a imagino conversando comigo. Ando ansioso em poder conhecer a sua voz, conversando, assistindo a Galinha Pintadinha, fazendo os corninhos do Rock, como criou Ronnie James Dio alguns anos antes – quem sabe ensine isso para ela. Quem sabe até motivada pela minha paixão. Não sou de ouvir repetidas vezes a mesma musica. Mas, bem provavelmente, o terei de fazer.
Quem tem filho pequeno ou sobrinho por perto sabe do que faço referência. Criança adora dizer: “de novo, de novo, mais uma vez, outra, mais uma, faz mais”. Ando já me acostumando com a ideia, entretanto tenho de segurar a minha imaginação e re-pousar minha mão sobre a barriga, acariciando-a suavemente, e esperar. Um pouco a mais, mas esperar.

Ouvindo: All Because of You do Blackmore´s Night.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Aquilo

OBS: Os últimos posts são referentes a coluna semanal que tenho no jornal Diário do Meio Oeste, Videira-SC, intitulada de Cult. Um momento que me foi concedido para colocar alguns pontos de vista. No fundo, transformou-se em um diário sobre a paternidade.





Ouvindo: Eyes On Fire do Blue Öyster Cult.

Ontem eu chorei. Não aquele choro desesperado, triste, de deixar as bochechas rosáceas, mas eu chorei. Nem senti as lágrimas escorrerem por minha face, mas chorei. Lacrimejei ao ponto de sentir meu coração arder, suar, gritar. As lágrimas atemorizaram meu coração ao ponto d´eu senti-lo bater tão intensamente quanto um choque estelar.
Por um breve momento eu congelei. Imóvel, vi uma vida inteira passar perante minha mente. Os flashes solitários e inequívocos soaram como uma turbina de avião em plena decolagem. Aquela ensurdecera batida no coração me fez despertar de um instante mágico, fantasioso e irrequieto.
Ouvi como nunca antes uma palpitação ardente, marcante e arrepiante. Não como assistir a um filme de suspense com um som potente, mas como algo interno, íntimo, silencioso. A imensidão do sangue nas veias parou por um momento, se entreolharam pensando o que ocorrera. Retomaram seu trabalho e fizeram-me despertar.
Da apreensão de uma penumbra surtiu a claridade estonteante. Daquele momento infindável, despertei. Cegou-me. Pousei a face sobre minhas mãos, suadas e quentes, e percebi que aquele instante passou. Volte! Volte! Volte! Tentei gritar com minha voz embargada, seca, apelativa, mas nenhuma resposta.
O silêncio se fez presente e os olhos foram obrigados a retornar ao ponto inicial. Queria que meus ouvidos compreendessem que som era aquele. Da rapidez daquele barulho, um ruído estranho, incompreensível, mas forte, rápido e constante; surreal. Não me acalente com suas mãos macias e voz doce. Queria é escutar novamente. Mais e mais.
Quero sentir em minhas mãos este trepidar de um vulcão, o calor que transcorre por dentro de cada canal. Quero sentir minhas mãos quentes e suadas, trêmulas pela ânsia de um pouco mais apenas. Um instante infindável somente. O instante que antes congelara, agora passa como um raio em noite de chuva forte. Rápido, formoso e perigoso.
Percebo, agora, os quão únicos e imponentes sãos momentos que vivemos. Cada um, independente do tempo que permaneça, anota em nossa vida, no livro de nossa biografia mental, a importância de termos vivido aquilo. Não existe definição racional sobre o “aquilo”. Não são palavras que o explicarão. São apenas, “aquilo”.
As lágrimas não significam, necessariamente, a tristeza de um momento de partida, de raiva, de despedida, de solidão. Representam, acima de tudo, o sentimento de um momento, de um instante. Este instante pode perdurar por milésimos de segundo ou por anos. Quero que permaneça por uma vida inteira.
Farei o impossível para sentir aquele estrondo por gerações, por vidas. Caso necessário, voltarei de onde for para ouvir “aquilo” novamente. Mudarei o rumo do meu mundo para escutar novamente, mais e mais, aquele barulho tão gostoso, apaixonante, ensurdecedor que foi o coração da minha filha.

Ouvindo: The Tower of Hope do Ayreon.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Inquietude








Ouvindo: The South's Gonna Do It Again do Charlie Daniels Band.

Como é ruim a ansiedade. Esperar é ruim, mas a ansiedade quase mata. Junto da ansiedade vem a aflição, da aflição a dúvida, da dúvida o dilema, do dilema vem a preocupação, da preocupação os pensamentos ruins, dos pensamentos ruins retorna a ansiedade. Mas é ruim demais esperar. Pior é ter de esperar e nada a fazer. Apenas esperar.

A vida é um longo caminho de espera. Esperamos nove meses para ver o rosto do obstetra. Esperamos nove meses para levar uma pitomba, já de supetão. Ao contrário de nos receber sorrindo e contentes, com um presente, levamos um bofetão. E a vida prossegue. Quantos são os bofetes que levamos ao longo da vida? Para muitos, um por dia.

Mas mitos ou verdades, devo esclarecer que esta história “do tapa no bumbum” é mito. Tirei a dúvida antes de escrever esta metáfora. Antigamente era usado como forma de fazer o bebê “acordar para o mundo”, mas é algo condenado pela medicina atual. Estamos entendidos? Apenas como esclarecimento mesmo, porque os obstetras já não mais “dão o tapinha”.

Mas a ansiedade mata. E o presente que virá faz-nos esperar. E esperar dói, corrói, destrói. Bom, nem tanto. Mas que é chato isso o é. Apenas queria uma informação bem rápida: guri ou guria. Mas conversar com a barriga não adianta. Tenho de esperar mais uma semana. Uma semana ainda! Caso fosse uma fila, teria ido embora. Mas, neste caso, a minha ansiedade é algo feliz, construtiva, de esperança, de futuro.

O estranho é que esta sensação contagia. Caso uma pessoa sente, psicossomaticamente, passa para a outra. Coisas de espírito, como bocejar. Duvido que você já não tenha visto alguém bocejar e, sem querer, abriu o bocão. Piada? Até parece, mas não é. Ando mais ansioso do que outrora. E a semana que não passa, a sexta-feira que não chega. Azar do final de semana. Quero a sexta-feira. E será incrível.

Bah! Ou frustrante? Pode ser. É uma hipótese. Vai que o guri ou a guria não queria aparecer, por timidez? Vou respirar bem fundo e me contentar com o que for. O ruim da ansiedade é a espera. Tenho de esperar para tudo. Ou sigo o conselho de alguém: “compra tudo branco que não tem erro!”. Bom, é uma possibilidade. Porém, prefiro ver a vida colorida.

Não colorida ao ponto de ser um palhacinho, mas mais colorido(a), bonito(a), alegre. Ah! E tenho ainda de esperar. Mas pegar tudo branco também é sacanagem. Seria, da minha parte, desleixo. Ouço agora um “pega amarelo ou verdinho que também serve pros dois!”. Não, melhor esperar uma semaninha. Quem sabe fraldas e lenços podem ser branquinhos. Quanto a roupinha, espero chegar a notícia da sexta que vem.

E que eu possa ver minha Pátria mais alegre. Este meu Brasil Brasileiro. Feliz do pai ou da mãe que pode ver seu bebê (sempre bebê) desfilando no 7 de Setembro. Não sei ainda, mas deve ser maravilhoso olhar o bebê caminhando junto dos colegas e receber um abano, mesmo que sem jeito, mas de “oi gente!”.

Ouvindo: You've Got A Hold On Me do Bruce Kulick.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Um mundo melhor


Um mundo melhor


Ouvindo: Not Enough do Van Halen.

“Eu tenho um sonho”. Esta célebre frase foi dita pelo pastor e ativista político americano, Martin Luther King Jr., em agosto de 1963, e se dirigia ao desejo de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos. Ele tinha um propósito, um anseio, um sonho. Pode parecer bastante egoísta usarmos o pronome pessoal em primeira pessoa ‘EU’ . Diariamente usamos para “eu isso, eu aquilo, eu aquilo outro” em muitas ocasiões. Independente da utilização, o EU, por si só, já é egoísta. O “nós” seria algo bem mais agradável.

Mas, especialmente hoje, EU serei egoísta. Sim, falarei do mEU sonho. Até dias atrás, meus desejos se baseavam em algo material, estritamente pessoal, enfim, individualista. Carro novo, casa grande, roupas bonitas, cabelo da moda, celular de última geração, TV grandona. Mas faz algumas semanas que meus anseios mudaram radicalmente de direção. O norte se tornou o sul, o leste mudou para oeste, a seta da bússola dos sonhos virou para o outro lado. E isso me fez repensar o que é, de fato, um sonho. Mas me refiro ao sonho individual, aquele bem íntimo.

Atualmente ando sonhando em um mundo melhor. O que deixarei para minha filha, ou filho, viver - ainda não tenho esta confirmação, mas virá em algumas poucas semanas. Não apenas o que se constrói, como uma casa, ou se monta, como um carro, mas o que deixarei, com a colaboração de você, de seu irmão, de seu filho mais velho, de primos. Caso antes eu sonhava em bens móveis ou imóveis, hoje penso no mundo. No que estou fazendo com ele, o que estou causando para ele. Contudo, me acalenta a autoacusação, mas também apontar você como culpado. Somos todos culpados.

Hoje, mais do que nunca, penso no que fazer para deixar o mundo melhor e mais agradável para quem está chegando. Como será que aquele ser tão pequenininho e ignorante do que é a vida (se é que alguém sabe o que é isso!) receberá este mundo que vivo, sobrevivo, ajudo a construir, mas também ajuda a depredar. Hoje, mais do que nunca nestas mais de três décadas, estou sonhando no que fazer para deixar um planeta mais lindo, limpo, agradável, honesto, puro e melhor para uma geração que, junto da minha ou meu, aproveitará e desfrutará.

Como qualquer outro pai e mãe, nosso bebê merece viver em um lugar em que possa se divertir, brincar na areia da praça, se arrepiar com o balanço, gelar o pai com a descida do escorregador, correr para não deixar o ser pequenininho puxar o rabo do cachorro bravo, cuidar para não cair e se machucar. Muitos praticaram algumas destas ações e hoje evitam que os filhos façam, se machuquem. Machuquei sim o joelho, mas hoje está novinho. Quero que me filho tenha um mundo em que possa fazer isso também, ter esta experiência que muitos de nós passamos.

Pensando bem, a minha fumaça acaba colaborando para estragar este nosso mundo e danificando o mundo de quem virá, em breve. A cegonha anda sobrevoando... na espreita, de butuca. E sabe de uma coisa, dona cegonha, a janela de casa está sempre aberta e com comida fresca.

Ouvindo: Alive do Pearl Jam.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A doação


Ouvindo: Human Being do New York Dolls. São 12h06.

O grupo foi um dos precursores do movimento punk-rock. Mas voltemos este dado a 1971 quando um grupo de jovens (e freqüentadores da loja de Malcon McLaren em Nova York) resolveram formar um grupo musical sem pretensões ambiciosas. Apareceram numa época onde Stooges (que voltou só em 73) e Velvet Underground não faziam mais a cena underground, nem os MC5 também. Acabaram imprimindo um estilo rebelde e do gênero "one-two-three-four". Angariaram uma verdadeira legião de fãs desde seu início. O grupo era comandado pelo lendário (e não menos importante musico) Johnny Thunders, nas guitarras. Não necessariamente o vocalista tem de ser o principal e mais lembrado. David Johansen foi importante, mas não tão pragmático quanto Thunders. Lançaram os seguintes álbuns: New York Dolls (73), Too Much Too Soon (74), Lipstick Killers - The Mercer Street Sessions 1972 (81), Red Patent Leather (84), Seven Day Weekend (92), Paris Le Trash (93), Live In Concert, Paris 1974 (98), From Paris With Love (L.U.V.) (2002), Manhattan Mayhem (2003) e One Day It Will Please Us to Remember Even This (2006). Os três primeiros forma oficiais. O restante compilações e remasterizações merecidas. Um tributo ao tão conceituado punk-rock. O próprio Ramones tecia elogios ao grupo nova-iorquino.
Mas voltemos ao ano de 2008, 11 de abril. Opa, é hoje! Sim, o tempo passou. A história ficou para trás. O sol já subiu, a lua está escondida por algum lugar deste céu azul e brilhante que presenteia todos da região nesta sexta-feira. Um presente assim todos os dias é algo celestial. A manhã começou com nevoeiro. Avistei a neblina baixa da janela da área de serviço do apartamento. Estendi a toalha umedecida após o banho e, de pés descalços, segui até meu quarto onde me arrumei e fui obrigado a colocar um agasalho. Uma hora depois a temperatura já chegava ao 26 graus. Retirei o agasalho e fiquei apenas de camiseta, como estou neste momento. Com meu "uniforme" diário de trabalho: tênis, calça jeans e camiseta. Eu não consigo trabalhar direito e ser criativo usando sapatos. Claro que uso, mas prefiro um tênis. Aliás, estou pensando em trocar de tênis. Não encontrei o meu número quando o comprei e peguei um 43. Pois o 44 que eu uso não existia em nenhuma loja decente da cidade. Acreditei que o 43 iria alargar um pouco. Mas não aconteceu. Mas penso que o tênis "esticou" um pouco. O que pode ter acontecido é que eu engordei e meu pé esteja inchado. Pé gordo. Ai que horror! Não criei vergonha na cara ainda. Sigo um sujeito sem vontade de me exercitar. Caminho um pouco durante o dia, mas não é o suficiente. Precisaria mesmo de exercício físico e constante. Mas mantenho-me dentro do peso, quase pesado, dos últimos meses. Mas sinto-me bem.
Fiz uma mini-check-up mês passado e os resultados forma agradáveis. Nada de ruim. Estou bem. E o meu sangue é dos bons: B+. Ainda bem que é positivo. Pois se fosse B- seria ruim. Não quero nada de negativo em minha pessoa, nem o sangue. Mas o B+ está de bom tamanho. Pensei que no resultado fosse constar como VERMELHO. Aliás, realmente é necessário sugar tanto sangue para fazer alguns exames? A menina surgiu com um "tarugo" gordo e grande. Enfiou aquela agulha afiada na veia do meu braço direito e "sug-sug-sug". Disse pra ela que eu iria apenas fazer exames e não doação de sangue. ela começou a rir e tremer o braço. Neste momento é que senti a dor das "tremidas" da menina. Voltei para casa com aquela sensação de perda. Sim, sensação de ter perdido algo: o sangue. Mesmo que fosse pouco, mas era meu. Relativamente pouco. Aquele "tarugo" deveria ter capacidade para um litro de sangue. Tudo bem, exagerei. Mas foi bastante de qualquer forma. Enfim, que os resultados forma bons e o de HIV de negativo. Assim me garanto mesmo. Não recordo de ter feito aquele exame antes e deu curiosidade. Sabia do resultado, mas "auto-perguntei": e porque não fazer? Fiz e pronto. Nem medo deu de retirar o resultado.
A sexta-feira está na metade. Mais algumas horas e o sábado chega. Tudo bem, irei trabalhar mesmo assim.

Ouvindo: Something Else do New York Dolls. São 12h25.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Andando


Ouvindo: Hearts Grown Cold do Nazareth. São 12h03.

Há dias que acesso o Mendigo, faço o login, acesso a página dos posts, mas não crio coragem de escrever. Hoje, não sei o motivo, apareço, do nada, para postar alguma coisa. Alimentar o Mendigo depois de tanto tempo. Ano passado conseguia ter ânimo suficiente para destinar alguns minutos diários ao meu canto virtual. Meu diário de bordo desde que cheguei nesta nova terra. No dia 17 completam onze meses em Videira (SC). Quase um ano, recordou minha amada mãe no início desta semana. Tanta coisa surgiu desde que aqui estou. Foram momentos bons. Não tenho nada a retirar. Nada de ruim aconteceu neste período. Conheci apenas pessoas boas. Algumas, contudo, mantenho contato quase que diariamente, outras seguiram seus caminhos. Mas são todas pessoas boas. Menhuma delas me fez mal ou que quis mal. E nem eu à elas. Muito pelo contrário, tomei decisões pensando no melhor de todos. Quem sabe eu tenha sido egoísta em algum momento. Mas depois de 27 anos, ouvi o relato de pessoas e optei por me deixar contente e feliz. Sei que alguns ficam tristes, magoados. Mas não julguemos ninguém por suas atitudes. Não é correto julgar. Podemos não concordar, mas respeitar a decisão e posição é algo mais inteligente. Nada em particular neste aspecto. Apenas um assunto que andei pensando dias atrás. Teria tanto assunto para postar, mas resumirei alguns pontos. Mas estou sem paciência para expor. Ando trabalhando um monte. São três trabalhos ao mesmo tempo: sou radialista, escrevo para um jornal e apresento um noticiário na internet. E, além disso, tem a faculdade de Letras - espanhol que estou a cursar. Com todo este movimento diário, resta-me pouca criatividade e vontade para abastecer o Mendigo.
Queria um tempo para mandar confeccionar as camisetas da Igreja do Rock, mas nem isso consegui ainda. E á noite as empresas fecham. Resta-me localizar uma hora durante um dia da semana para fazer isso. Mas quando descanso, acabo esquecendo. Anoto em algum bilhete ou rascunho, mas perco. Mas o que me consola é saber que eu estou bem e feliz. Vivendo numa outra fase importante da minha vida. Ando feliz. Particularmente feliz. Um tanto me questionando sobre oportunidades profissionais que estão surgindo. Mas com a universidade andei parando de pensar em buscar outro mundo. Quem sabe amanhã. Mas neste exato momento minha vontade é de ficar, estudar e trabalhar bastante. E logo terei surpresas boas. Quem sabe todos teremos. Mas sinto-me bem e feliz. Alguns momentos tristonhos, mas que logo passam com esta vida agitada. Mas não reclamo. Caso apareçam mais atividades, me pergunto: e por que não?

Ouvindo: Now and Then do Blackmore´s Night. São 12h15.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Contrário


Ouvindo: I Can’t Explain do The Who. São 21h30.

Passa-se esta quinta-feira. Dia foi bom, gostoso, de muito corre-corre. Há alguns dias ando pensando, refletindo sobre alguns passos que, obrigatoriamente, devo dar. Passos que podem ser largos demais para minhas pernas. Mas, por outro lado, percebo que minhas pernas são um pouco longas. Isso me possibilita arriscar. Tenho em “quem me apoiar”. Possuo “alguém” em quem confiar meus possíveis medos e dificuldades. Neguei algo que queria. Assumi algo que não queria. Mas fui, de certa forma, instigado a fazer. Ninguém é obrigado a fazer nada neste mundo. Bom, há também suas exceções nesta afirmação. Existem algumas pequenas “coisinhas” que somos. Algo de nosso corpo. Há quem rouba, mas há quem trabalha. Há quem mata, mas há que desculpa. Há quem ama, mas há quem odeia. Há quem dá, mas há quem pede. Há quem sobe, mas há quem desce. Há quem chora, mas há quem sorri. Há muita diferença entre um e outro. Chamemos de “extremos”. De um lado ao outro. Duma margem à outra do rio.
Ando realmente exausto. Especialmente nesta quinta-feira até que não tanto. “Ontem” fiquei até “hoje” trabalhando. Mas explico: comecei a digitar minhas matérias ontem e terminei era já quarta. Dormi pouco. Fui trabalhar novamente e parei eram seis horas da tarde. Cheguei a casa e liguei meu “bichano”, como de costume. Preciso vê-lo brilhando para mim, pelo menos, alguns minutos. Estive pensando que solidão não é apenas estar sozinho. Podemos estar com muitas pessoas (mesmo as que realmente gostamos) que podemos nos sentir sozinhos. A solidão é algo mais profundo do que um abraço, uma palavra, um afeto. Solidão chega a ser um estado de espírito.
Por mais estranho (e louco) que pareça, dificilmente me sinto sozinho quando fecho os olhos e deixo “meu som” guiar meu coração. Ou simplesmente aumentar o volume das minhas músicas e sentir uma leve tremedeira em meu corpo. Estava precisando disso. Nestes últimos dias (e hoje eu vejo e confirmo isso) precisava disso: escutar minha música, comigo mesmo. Eu e eu. Iaran e Iaran. Neno e Neno. Todos juntos. Meus grandes “amigos” me acompanham há anos. Muitos anos. Sempre que precisei deles, sempre estiveram ali, me esperando. Nunca me pediram nada. Nunca precisei pedir nada. Eles, apenas, estavam ali. No momento que eu precisei. E precisar de alguém é bom. De algo é bom. Precisamos de todos. Eu preciso de você como você de mim. Independente de quem seja você, de onde está. Você precisa de alguém. Ou de alguma coisa. No meu caso, dos meus “amigos”. Assim posso pensar, relaxar, descansar minha cabeça.
As sombras da água permeiam meu ser. As sombras da luz me ofuscam os olhos. A sombra da noite me persegue. A sombra do mal se afasta. A sombra do sol me cega. A sombra do meu ser infla minha alma.

PS: Estou com uma puta vontade de abraçar e beijar o mundo inteiro.

Ouvindo: My Wife do The Who. São 21h51.

sábado, 1 de março de 2008

Escutando


Ouvindo: Hide Your Heart do Kiss. São 21h12.

Há exatamente um mês não apareço aqui, no Mendigo Rock Virtual. Há cerca de um mês venho tentando encontrar um motivo para escrever. Há um mês tento digitar algo que me deixe melhor. Não encontro mais o incentivo interno que sumiu. Antes eu nem precisava procurar este motivo, este incentivo; fluia naturalmente. Quem sabe um empurrão. Nem isso mais me serve. Ando me empurrando. Ando empurrando muita coisa com a barriga, no dito popular. De popular não tem nada. Tem de razão. Estou com medo. Medo de acordar e levantar todos os dias. Medo de abrir a porta. Ando um tanto apavorado com tudo o que pode acontecer. Não imagino o que possa acontecer. Fico sempre esperando pelo pior. Algo que há tempos me persegue. Não imagino o motivo de sempre pensar o pior. E não sou um sujeito negativo. Percebi que ando muito "reclamão". Parece que tudo está errado. O que antes era bom e interessante, já não me serve mais. Sinto que meu tempo nesta terra nova está findando. Mas não em tudo. Algumas "coisas" começaram enquanto outras passaram. Desejo que seja apenas uma sensação ruim. Um período adoecido e ruim. Nada além disso.
Não sei ao certo, mas havia noites, quando o vento estava tão frio que eu ficava gelado na cama, que me deixavam contente. Caso eu prestasse bastante atenção, ao lado de fora da janela, poderia eu avistar o sol queimando. Quem sabe o apartamento frio. Hoje em dia, sinto que minhas lágrimas viravam poeira. Grãos de areia pesados. Nem sei ao certo, mas para onde meus olhos estavam fixados, até eu duvido. Apenas posso parar um pouco, soluçar, puxar um pouco o lençol e secar minhas lágrimas. Mas eu parei de chorar. Apenas penso. E nem quero lembrar onde, quando ou como eu decidi. Estou tentando evitar expulsar minhas lembranças. Não as construí sozinho. Há sempre alguém, seja quem for, para ajudar a edificar isso dentro de nós. Estranho, mas sinto que tudo está voltando. Que tudo está retornando para mim nestes últimos dias. Não sei o que volta, mas sinto isso, no meu íntimo.
Houve momentos mágicos, houve momentos lindos, mas que escassearam. Houve promessas e sonhos. Houve promessas e desejos. E o que restou de mim?
Tem coisas, sabe Iaran, que dificilmente faria de novo. Mas se fosse necessário fazer alguma coisa, para viver tudo isso novamente, eu faria. Faria por você, Iaran. Pois é aqui que você tinha de estar neste momento. Aqui, sentado, escrevendo. Qualquer mudança em todo o seu passado, não teria coincidido em deixar você aqui: nesta terra nova.
Algumas atitudes tomei pensando que fossem certas. Errei, sim. Assumo e admito. Mas escolhi errar. Pensei que fosse o correto.
Estava perdido há muito tempo. Acabei por me localizar. Tudo está voltando para dentro. Algumas sensações que outra sumiram. Ledo engano. Voltaram porque nunca sumiram, nunca desapareceram completamente. Iaran, elas estavam ali, dentro de você, apenas aguardando que as soltasse.
Mas estou bem. Apenas adormecido nesta sensação de BUSCAR.

Ouvindo: Black do Pearl Jam. São 21h41.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Tempo


Ouvindo: Free Falling do Tom Petty. São 12h07.

Há quanto tempo que eu não surgia no Mendigo. Coitado do espaço, está paupérrimo. Mas sigo vivendo, correndo e me dedicando. Apesar de que ando relapso em alguns pontos. Ando mais preocupado com minha dor nas costas do que com qualquer outra coisa. Queria comprar um colchão novo, mas a verba está escassa. Então irei esperar um pouco. Deixa eu me organizar um pouco e depois compro o dito cujo.
Ando com saudades do pessoal de casa. Agora pela manhã abateu-me uma vontade tremenda de pegar um ônibus para Bento. Voltaria no domingo, mas pelo motivo anteriormente descrito não posso.
Quanta coisa aconteceu neste primeiro mês do ano. Muitas coisas aconteceram mesmo. Mami me cobrou o motivo de não escrever mais. Nem sei, quem sabe preguiça. Esquecimento não foi, pois várias vezes abri um novo post e não consegui seguir adiante com as palavras. Estava pensando em copiar e colar alguns textos, mas perderia o sentido do Mendigo. Pedi para um velho amigo meu de Bento Gonçalves, o Rafinha, refazer a foto da minha tatuagem para poder fazer uma camiseta da Igreja do Rock. Depois vou pesquisar preços. Quem sabe eu faça algumas a mais para começar o projeto. de algum ponto tenho de começar. Já deixei uma conta em separado para iniciar com isso. De pouco em pouco vou formatando a idéia. Não esqueci não. Quem sabe eu ande com a cabeça muito voltada para outros assuntos que não me dedico a isso. Cada dia que passa me convenço mais que sem dinheiro nada se faz neste país. Não me refiro a respeito de quantias exorbitantes, mas de pequeninas também. Para fazer um projeto, precisa-se de tempo e dinheiro para alguns detalhes. Para registrar algo também. E não é barato não. Mas nada de tão caro assim. Mas aos poucos vou me equilibrando nesta corda bamba que é a vida. Enfim, os dias passam e vou pensando cada vez mais na velhice. Sou relativamente jovem, mas algumas coisas passam pela minha mente a respeito da velhice. Irei envelhecer, como com todos acontece. Mas não me queixo do que sou hoje nem do que serei dentro de pouco tempo. Mais do que um lunático perdido não ficarei ou 'estarei'.

Ouvindo: Dreams do Van Halen. São 12h20.